Venda de títulos de transporte suspensa em São Miguel

Hoje 08:58 — Ana Carvalho Melo

As três empresas que atualmente asseguram o contrato de concessão do serviço público de transporte regular rodoviário coletivo de passageiros na ilha de São Miguel suspenderam a venda de títulos para o mês de abril, situação que está a causar apreensão junto dos utilizadores, que não sabem o que acontecerá a partir da próxima quarta-feira.De acordo com as empresas - Caetano, Raposo & Pereira, Auto Viação Micaelense e Barraqueiro, -, esta decisão prende-se com a indefinição das diligências que estão a ser efetuadas junto do Governo Regional, de modo a garantir a continuidade do serviço à população.Entretanto, os utilizadores do serviço público de transporte regular rodoviário coletivo de passageiros mostram-se preocupados com esta indefinição, questionando como irão dirigir-se para o trabalho, entre outros exemplos, a partir da próxima quarta-feira.Recorde-se que a empresa Vale do Ave Transportes assinou o contrato de concessão do serviço público de transporte regular rodoviário coletivo de passageiros na ilha de São Miguel em janeiro, estando atualmente a aguardar o visto do Tribunal de Contas para depois iniciar a operação em São Miguel.Nuno Amaral, presidente do Sindicato dos Profissionais dos Transportes, Turismo e Outros Serviços de São Miguel e Santa Maria (STTOSSMSM), revelou ao Açoriano Oriental que a incerteza operacional está também a preocupar os trabalhadores dos transportes públicos.“A instabilidade que se está a criar no seio [dos motoristas] está a dizimar a profissão, porque os motoristas estão saturados de toda esta situação”, afirmou, realçando que todo este impasse tem também repercussões nos trabalhadores.Nuno Amaral recordou ainda que é cada vez mais difícil atrair novos motoristas devido às cargas horárias pesadas e aos salários baixos face à exigência da função, referindo que existe uma luta anual por aumentos salariais que depende de o governo transferir verbas para as empresas, de modo a garantir-lhes fluidez financeira para melhorar as condições de trabalho.Governo garante continuidade do serviçoFace à recusa dos atuais operadores em assegurar o serviço público de transporte coletivo de passageiros a partir de 1 de abril, o Governo Regional acionou os mecanismos legais e lançou um procedimento pré-contratual para garantir a continuidade do serviço na ilha de São Miguel, revelou a secretária regional Berta Cabral.Questionada pelo Açoriano Oriental sobre a suspensão da venda de títulos, a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, revelou que o Executivo, “na sequência da comunicação recente dos atuais operadores de transporte coletivo de passageiros, de que não estariam disponíveis para assegurar a continuidade do serviço público nos moldes atuais a partir de 1 de abril 2026, acionou os mecanismos legais aplicáveis, tendo lançado o respetivo procedimento pré-contratual com vista a garantir a prestação do serviço de transporte coletivo de passageiros a partir desta data”. Ou seja, serão as mesmas empresas que exercem o serviço atualmente.Berta Cabral acrescentou ainda que o Governo considera “fundamental assegurar que o serviço público de transporte coletivo de passageiros decorra sem qualquer interrupção”, reconhecendo que uma “eventual suspensão teria um impacto imediato e significativo na vida dos utilizadores que dele dependem para as suas deslocações diárias, nomeadamente para o trabalho, acesso a cuidados de saúde e outros serviços essenciais, na ilha de São Miguel”. Vale do Ave Transportes quer iniciar serviço em setembroA empresa Vale do Ave Transportes, que ainda aguarda o visto do Tribunal de Contas para depois iniciar a operação, pretende começar a operação de serviço público nos Açores em setembro, revelou ao Açoriano Oriental Sérgio Ferreira, diretor-geral da Vale do Ave Transportes.“Em setembro as aulas vão começar e nós gostaríamos de começar a operação nessa altura de modo a iniciarmos o ano letivo em pleno”, explicou.Sérgio Ferreira realçou, no entanto, que a empresa Vale do Ave Transportes ainda aguarda pelo visto do Tribunal de Contas, uma etapa legal obrigatória após a empresa ter vencido o concurso público, esclarecendo que dispõe de um prazo máximo de seis meses para iniciar a operação a partir do momento em que recebe o visto, conforme estipulado pelo próprio concurso.