Venda da TAP vai certamente contribuir para sustentabilidade das finanças públicas
19 de abr. de 2023, 17:21
— Lusa
Fernando
Medina falava no encerramento da “Grande Conferência Negócios
Sustentabilidade 2030”, organizada pelo Jornal de Negócios, em Cascais,
numa conversa com a diretora daquele jornal, Diana Ramos. Questionado
sobre se a privatização da TAP irá contribuir para a sustentabilidade
das finanças públicas, o governante considerou “que irá certamente, até
porque a própria lei é clara relativamente à afetação das receitas das
privatizações”. Medina realçou que o
Governo “está a olhar para o processo”, analisando “qual é a melhor
solução estratégica para o futuro da empresa, dentro de um mercado
altamente competitivo como é o do mercado da aviação internacional”. À
margem da conferência questionado pelos jornalistas sobre a recusa do
executivo em enviar à comissão de inquérito da TAP os pareceres
jurídicos que deram respaldo à demissão da anterior presidente executiva
da companhia, justificando com a necessidade de "salvaguarda do
interesse público", o ministro das Finanças remeteu para a posição já
transmitida pela ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana
Catarina Mendes.Numa nota enviada à
agência Lusa, o gabinete de Ana Catarina Mendes alega que "o parecer em
causa não cabe no âmbito da comissão parlamentar de inquérito (CPI)" e
"a sua divulgação envolve riscos na defesa jurídica da posição do
Estado".Já uma das advogadas da
ex-presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener, exonerada
pelo Governo por justa causa, disse hoje à Lusa que a responsável
desconhece a existência de parecer jurídico que sustenta esta decisão.Na
conferência, Fernando Medina defendeu que “a filosofia” para a condução
das finanças públicas “tem de ser de prudência relativamente ao nosso
andamento”, considerando que o país está mais preparado “para enfrentar
choques adversos”. Salientou ainda o
comprometimento do Governo com o desagravamento fiscal, mas escusou-se a
entrar em detalhes, apontando apenas: “se as perspetivas à medida que o
ano avança forem melhorando e relativamente aos próximos anos forem
melhores, a nossa vontade, disponibilidade e orientação política é para
irmos mais longe no desagravamento fiscal”.