“Vemo-nos em breve em Caracas, em liberdade”

Venezuela

9 de jan. de 2025, 17:19 — Lusa/AO Online

“Vemo-nos todos muito em breve em Caracas, em liberdade”, declarou González Urrutia, na véspera da tomada de posse do Presidente cessante, Nicolás Maduro, para um terceiro mandato, e enquanto a oposição se manifesta em toda a Venezuela.González Urrutia, antigo embaixador de 75 anos, foi recebido pelo Presidente dominicano, Luis Abinader, no palácio presidencial, onde chegou acompanhado de vários ex-chefes de Estado do grupo IDEA (Iniciativa Democrática de Espanha e das Américas), entre os quais o colombiano Andrés Pastrana e os mexicanos Vicente Fox e Felipe Calderón.“O regime de Maduro recusa-se a aceitar a derrota que sofreu” nas urnas e “optou, ao invés, por desencadear a pior escalada de repressão da história do nosso país (…) Nós, os venezuelanos, estamos determinados a persistir nesta luta até ao fim”, acrescentou González Urrutia.“A 28 de julho, a Venezuela expressou-se claramente: o seu voto foi um grito de liberdade que foi recebido com repressão e fraude”, afirmou, por sua vez, Abinader, antes de se dirigir às autoridades venezuelanas: “Ainda há tempo para passar para o lado certo da história, para abrir as portas a uma transição pacífica para a democracia”.Exilado desde setembro, González Urrutia, a concluir um périplo diplomático que incluiu Argentina, Uruguai, Panamá e, sobretudo, Washington e a Casa Branca, tinha previsto regressar à Venezuela acompanhado por estes antigos presidentes latino-americanos para prestar juramento em vez de Maduro - um projeto que parece ter sido abandonado, apesar de Santo Domingo ficar a apenas uma hora de avião de Caracas.As autoridades venezuelanas advertiram o candidato presidencial da oposição e a sua comitiva de que seriam considerados uma “força invasora” e detidos à chegada ao país.O Presidente, Nicolás Maduro, foi proclamado vencedor das presidenciais de 28 de julho, com 52% dos votos, pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), considerado sob controlo do poder.O CNE não divulgou as atas eleitorais das assembleias de voto, afirmando ter sido vítima de um ataque informático, um argumento considerado pouco credível por muitos observadores.A oposição, que divulgou as atas eleitorais fornecidas pelos seus escrutinadores, garante que o seu candidato, Edmundo González Urrutia, obteve mais de 67% dos votos.