Vaticano sanciona arcebispo polaco por encobrir crimes de pedofilia
21 de ago. de 2021, 19:58
— Lusa /AO Online
O caso de Marian Golebiewski, 83 anos, é o último de uma longa lista de escândalos de agressões sexuais que abalaram a Igreja Católica no país, Estado-membro da União Europeia e predominantemente católico.“No seguimento de notificações formais a Santa Sé conduziu um procedimento relativo à alegada negligência do arcebispo Marian Golebiewski em casos de abusos sexuais de menores por certos padres”, declarou a arquidiocese num comunicado.Os factos ocorreram quando Marian Golebiewski era bispo de Koszalin-Kolobrzeg (norte da Polónia) de 1996 a 2004, bem como quando foi arcebispo de Wroclaw (oeste), de 2004 a 2013, especifica-se na nota.Como resultado da investigação, o Vaticano decidiu proibir Marian Golebiewski de exercer cargos públicos e ordenou-lhe que fizesse doações a uma fundação católica para a proteção de menores.A Igreja, que é politicamente muito influente na Polónia, enfrenta uma série de acusações, muito mediatizadas, de crimes sexuais ligados a menores e encobrimento, um tema tabu não há muito no país, muito ligado à fé católica.Desde o ano passado, o Vaticano sancionou oito bispos polacos por encobrirem atos de pedofilia cometidos por clérigos, bem como um cardeal.Em julho, a comissão estatal sobre pedofilia disse que os padres estiveram envolvidos em quase um terço dos crimes de pedofilia registados na Polónia entre 2017 e 2020, de um total de 345 casos investigados sobre esse período.A comissão, que foi criada em 2019, também disse não ter recebido da Igreja qualquer documentação sobre casos de abuso de crianças, apesar dos pedidos.No seu próprio relatório, apresentado em junho, a Igreja Católica revelou que tinha recebido várias centenas de novas queixas de agressões sexuais a menores por membros do clero desde 2018.De julho de 2018 até ao final do ano passado, foram comunicados à Igreja 368 casos de agressão sexual, cometidos entre 1958 e o ano passado.