Vaticano confirma excomunhão de bispos eleitos sem permissão papal
Hoje 15:29
— Lusa/AO Online
A decisão
inclui a excomunhão dos dois consagrantes, o espanhol Alfonso de
Galarreta e o suíço Bernard Fellay, "por terem cometido um ato de
natureza cismática através da consagração episcopal de quatro sacerdotes
sem mandato papal".O Dicastério para a
Doutrina da Fé afirmou, em comunicado, que o bispo Afonso de Galarreta,
que celebrou as ordenações, e os novos bispos Pascal Schreiber, Michael
Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier "receberam 'ipso
facto' [por este mesmo facto, no caso a nomeação dos bispos] a
excomunhão 'latae sententiae' [imediata] reservada à Sé Apostólica".Além
disso, o bispo Bernard Fellay é também excomungado, por ter participado
diretamente na celebração litúrgica como co-consagrador, aderindo,
assim, publicamente ao ato cismático.O
prefeito para a Doutrina da Fé, o cardeal argentino Víctor Manuel
Fernández, advertiu o restante clero e os fiéis leigos de que, se
aderirem ao cisma da Fraternidade Pio X, vão estar também a incorrer "na
pena de excomunhão por força da lei". As
consagrações dos quatro novos bispos foram celebradas na quarta-feira na
cidade de Écône, na Suíça, no coração do vale do rio Ródano, perante
aproximadamente 15 mil pessoas, entre fiéis e espetadores. A cerimónia
foi transmitida em direto pelas redes sociais em diversos idiomas.Com
este ato, a Fraternidade Pio X desconsiderou os pedidos do Papa Leão
XIV, que no dia anterior pediu à congregação, através de uma carta, "com
espírito paterno" e "de todo o coração", a mudar de rumo sob a
advertência de incorrerem em excomunhão imediata.Esta
fraternidade foi oficialmente fundada em 1970 em Friburgo, na Suíça,
pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre e surgiu como reação às reformas
introduzidas pelo Concílio Vaticano II (1962-1965), vistas como uma
rutura com a tradição doutrinal e litúrgica da Igreja. João
Paulo II já tinha excomungado o fundador e os quatro bispos ordenados
em 1988 sem aprovação papal, mas Bento XVI revogou a excomunhão em 2009.
Apesar desta medida, a Fraternidade continuou a lutar contra a Igreja
Católica."As múltiplas tentativas de
reintegrar os membros do movimento iniciado pelo arcebispo Marcel
Lefebvre à plena comunhão com a Igreja Católica não tiveram sucesso.
Esta situação foi agravada pelas recentes consagrações episcopais
celebradas sem mandato papal, contra a vontade do Papa e em flagrante
violação do direito canónico", acrescentou o prefeito para a Doutrina da
Fé, na mesma nota. "Assim sendo, este
Dicastério, no fiel exercício das suas funções, considera necessário
salientar que este ato constitui o crime de cisma, com consequências
canónicas para os religiosos e os fiéis leigos envolvidos", salientou
Fernández. Assim, o responsável declarou
que, a partir de agora, "os religiosos ordenados pertencentes à
Fraternidade Sacerdotal São Pio X estão em cisma e, por isso, devem ser
considerados cismáticos”."Os sacramentos e
o sacramento da penitência por eles administrados e o matrimónio por
eles assistido são inválidos", destacou Fernández, sublinhando que a
Igreja tem as portas abertas aos fiéis que queiram retornar “em plena
comunhão” com a doutrina estabelecida pelo Concílio Vaticano II.Os
"lefebvristas" contam com 733 sacerdotes, 250 freiras, 145 monges e 264
seminaristas em todo o mundo. No total, a congregação ultrapassa os
1.500 membros consagrados e cerca de 500.000 fiéis, com presença em mais
de 60 países.