Vasco Cordeiro sugere reforma nos transportes terrestres açorianos e recebe críticas
20 de out. de 2023, 06:13
— Lusa/AO Online
“O
Governo Regional está a perder uma grande oportunidade de fazer uma
verdadeira reforma nos transportes terrestres utilizando as verbas do
Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Ao invés, faz e utiliza a
mesma solução que utiliza para a questão do passe. Gastam-se 25 milhões
de euros em dois navios elétricos e o assunto fica resolvido”, afirmou
Vasco Cordeiro.O líder parlamentar e
presidente do PS/Açores, que falava na discussão do projeto de resolução
para a implementação de tarifário tendencialmente único para
transportes coletivos, apresentado pelo deputado independente Carlos
Furtado, acrescentou que “dá mais trabalho” o executivo da coligação
PSD/CDS-PP/PPM fazer a reforma do transporte terrestre, mas “era aquilo
que melhor servia não apenas os interesses dos açorianos, como servia
até os interesses das alterações climáticas, da sustentabilidade
ambiental e de tudo o mais”.E insistiu:
“Aquilo que é mais urgente e aquilo que faria mais a diferença, para
melhor, na vida das pessoas é exatamente isso. Aproveitar estes 25
milhões de euros e fazer uma verdadeira reforma do transporte
terrestre”.Em resposta ao socialista, Rui Martins (CDS-PP) disse que Cordeiro tenta “misturar aquilo que não faz sentido misturar”.Como
o socialista disse que tinha uma solução para o problema dos passes
sociais, que faria “se os açorianos derem a confiança ao PS para voltar
ao Governo”, Rui Martins perguntou “o que é que pretendia então fazer
com os 25 milhões do PRR?”.“É essa a
medida do agora é que vai ser? Se eu [Vasco Cordeiro] ganhar as próximas
eleições, agora é que vai ser. 24 anos de inércia vão ser resolvidos
nos primeiros seis meses de governação?”, questionou.Às
críticas juntou-se o deputado João Bruto da Costa (PSD), que afirmou
que Vasco Cordeiro fez uma declaração de comício eleitoral “dizendo que
‘os senhores não sabem fazer, eu é que tenho as boas propostas, eu é que
vou fazer’”.“O senhor deputado Vasco
Cordeio sentou-se nesta casa pela primeira vez em 1996. (…) Esteve 24
anos, a maioria dos quais, sentado na bancada do Governo. Não o fez, mas
agora promete que vai fazer e que vai fazer rapidamente”, disse.E
prosseguiu: “Não sei se posso usar hoje a expressão de que soa a falso.
(…) Tal como a Tarifa Açores [que permite viagens aéreas interilhas a
60 euros para residentes], por exemplo. O senhor achava que não era
possível e, se calhar, por isso não fez. (…) E o seu problema, quando
era presidente do Governo, era que o senhor não tinha arrojo para
avançar com medidas que efetivamente resolvessem o problema das
pessoas”.“O senhor que esteve 24 anos no
Governo desta região, [está a] queixar-se de falta de recursos? (…) O
senhor não teve falta de recursos quando deu cabo de 400 milhões [de
euros] na Sata (…), quando deixou mil milhões na SaúdeAçor, ou quando
nos deixou encargos e dívida para o futuro superior a três mil milhões?
(…) O senhor quer voltar ao Governo? Eu tenho que dizer aos açorianos:
‘Deus nos livre’”, declarou o social-democrata.Por
sua vez, Paulo Estêvão (PPM) lembrou que Cordeiro quando liderou o
executivo nada fez sobre o assunto dos transportes terrestres. E
perguntou: “Mas só agora que perdeu o poder é que é necessária a
revolução nos Açores e nos transportes?”.O
atual executivo fez a “revolução no transporte aéreo” com a Tarifa
Açores e “os navios elétricos são também uma revolução”, observou.No
debate também participou a secretária regional do Turismo, Mobilidade e
Infraestruturas, Berta Cabral, que assumiu que de momento “não há
condições técnicas e tecnológicas para implementar” o passe social.Depois,
dirigindo-se a Vasco Cordeiro, afirmou: “Estamos nós, em menos de dois
anos, a fazer a aplicação do regime jurídico [do serviço público de
transporte de passageiros] de 2015, que os senhores nunca aplicaram”.A
proposta do deputado independente sobre os transportes coletivos foi
aprovada com 25 votos a favor do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois do
BE, um do PPM, um da IL, um do PAN e um do deputado independente, e uma
abstenção do Chega.