Vasco Cordeiro questiona que tenha de haver redução de verbas da UE para a Coesão
12 de abr. de 2024, 16:46
— Jorge Sá Eusébio/Lusa/AO Online
"Não sei
porque é que temos de assumir que temos menos recursos. Acho que este é o
primeiro passo para fazer com que a política de Coesão perca terreno
neste debate", disse Vasco Cordeiro num painel de discussão no nono
Fórum da Coesão, que decorreu entre quinta-feira e hoje em Bruxelas.O
deputado regional açoriano e líder do PS/Açores sustentou a sua posição
em declarações do vice-presidente da Comissão Europeia Valdis
Dombrovskis, responsável pelas pastas do Comércio e da Economia, que
afirmou estar "aberto a um maior orçamento da União Europeia" e à forma
como tal poderia ser financiado, segundo o jornal Politico.Segundo
Dombrovskis, o potencial aumento de despesa em Defesa não deve ser
feito "à custa de políticas existentes", uma citação lida por Vasco
Cordeiro que gerou aplausos na audiência, composta sobretudo por
técnicos que trabalham com fundos europeus da Coesão, que têm como
objetivo estrutural estimular a economia nos países e regiões menos
desenvolvidas da UE.Vasco Cordeiro também
defendeu que a aplicação dos fundos deve ser alvo de uma simplificação,
"não só para os beneficiários, mas também para as autoridades gestoras
[regiões da UE], pelos que são responsáveis por auditar os resultados
das políticas de coesão".O presidente do
Comité das Regiões abordou ainda a questão da ligação da aplicação dos
fundos a reformas, e criticou que, por vezes, "as regiões e as cidades
paguem pela incapacidade dos governos nacionais fazerem essas reformas"."Isso
não é justo. Neste tipo de políticas [orientadas para as regiões] isso
não é justo", vincou, dizendo que tal "está a acontecer atualmente",
clamando que tal tem de ser "repensado".Quanto
ao futuro da política de coesão da UE, Vasco Cordeiro assinalou que
"não é uma questão de fazer pequenas mudanças, cosméticas", sendo
necessárias mudanças profundas.Uma das
questões levantadas foi a noção da existência de países beneficiários ou
contribuintes líquidos para a política de Coesão, uma vez que, na sua
opinião, no fim de contas, "todos beneficiam" da política a nível
europeu, mesmo os países mais ricos.Por
outro lado, defendeu que atuais características da política de coesão se
devem manter, como estar "disponível para todas as regiões", ter uma
"abordagem local", manter a "metodologia das parcerias", "gestão
partilhada", "governação multinível" e "abordagem de longo prazo"."O tempo é agora para nos mobilizarmos pela política de Coesão. Antes das eleições europeias", marcadas para junho, vincou.