Vasco Cordeiro diz-se preocupado com "maior centralização" do novo quadro comunitário
23 de nov. de 2018, 13:15
— Lusa/AO Online
Para o
governante, "não é possível fingir" que não há preocupações dos Açores
com "algumas propostas da comissão para o próximo quadro", nomeadamente a
"maior centralização" em Bruxelas dos apoios "e o aumento da distância
do fosso entre o centro europeu e os cidadãos"."Pela
primeira vez na história da construção europeia, as dotações europeias
para programas geridos diretamente por Bruxelas são superiores às
dotações financeiras destinadas às Políticas de Coesão e Agrícola
Comum", sinalizou Vasco Cordeiro, falando em Las Palmas, Espanha, na
sessão de encerramento da XXIII Conferência dos Presidentes das Regiões
Ultraperiféricas da União Europeia.O
chefe do executivo açoriano sustenta que o "verdadeiro desafio" para os
próximos tempos é "debater aquilo que verdadeiramente interessa às
pessoas, e não aquilo que interessa a Bruxelas", sendo necessária uma
"resposta adequada" face aos "inúmeros desafios" que o projeto europeu
enfrenta."Divergimos
na forma que essa resposta assume", reconheceu Vasco Cordeiro,
criticando o "menorizar" da proposta de quadro de apoio da Política de
Coesão e da Política Agrícola Comum, vistas como "meras variáveis de
ajustamento do próximo orçamento comunitário".E
concretizou: "Não nos esqueçamos que na sua globalidade os montantes
previstos pela Comissão (...) estão aproximadamente ao mesmo nível do
atual. Caem assim por terra os argumentos que justificam alegadas
dificuldades orçamentais com a saída do Reino Unido da União Europeia".Vasco
Cordeiro manifestou ainda preocupação pela "dupla penalização proposta
para a Política de Coesão", operada "tanto por via da redução do seu
orçamento real como por via da redução das taxas de cofinanciamento"
para as regiões.A
XXIII Conferência dos Presidentes das Regiões Ultraperiféricas da União
Europeia, reunida em Las Palmas, formalizou na declaração final a
rejeição de "qualquer redução das taxas de cofinanciamento europeu" e
exigiu de Bruxelas a reposição da taxa de 85%, ao contrário dos
propostos 70%.O
cofinanciamento europeu é o instrumento que permite, por exemplo, aos
governos regionais e às autarquias locais receberem apoio na
implementação ou construção de projetos ou obras, sendo que, quanto
maior a taxa de cofinanciamento, menor orçamento próprio é necessário
destinar à referida obra.É
também advogada, no texto final, a "necessidade de uma conclusão, tão
rápida quanto possível, das negociações sobre o próximo quadro
financeiro plurianual e os seus diferentes regulamentos e programas,
para evitar hiatos e disrupções prejudiciais ao contínuo crescimento
económico e social" da União Europeia e das regiões.A
CPRUP é uma estrutura de cooperação política que junta os presidentes
dos órgãos executivos das regiões ultraperiféricas dos Açores, Madeira,
Canárias, Guadalupe, Guiana, Martinica, Reunião, Maiote e Saint-Martin,
territórios que, no seu conjunto, abrangem quase cinco milhões de
cidadãos europeus.