Vasco Cordeiro diz que “eventuais decisões” serão tomadas no caso das evacuações médicas
11 de set. de 2018, 08:30
— Lusa/AO Online
Vasco Cordeiro,
questionado sobre o relatório do inquérito da Inspeção Regional de Saúde
sobre o caso de eventual interferência de uma administradora hospitalar
em evacuações médicas, adiantou que “faz parte do património deste
Governo a apresentação de uma proposta para tornar públicos os
relatórios das auditorias, sendo este também público”.O
episódio, ocorrido em fevereiro de 2017, motivou uma queixa por escrito
ao Serviço Regional de Proteção Civil e foi remetida para a Secretaria
Regional da Saúde, que optou por não a enviar para a Inspeção Regional
de Saúde.O
presidente do Governo Regional, que falava aos jornalistas, no Palácio
de Santana, no final das audiências concedidas os parceiros sociais e
partidos políticos no âmbito da preparação do Plano e Orçamento para
2019, revelou já ter em sua posse o relatório do inquérito sobre o
assunto, mas não adiantou conclusões ou recomendações do texto.O
PSD/Açores pediu hoje ao executivo regional "a cópia integral" do
relatório do inquérito, referindo que "é necessário e imperioso o cabal
esclarecimento da verdade relativamente ao caso das evacuações médicas
ocorridas em 02 de fevereiro de 2017".A
deputada do PSD/Açores Mónica Seidi, citada em nota de imprensa,
declarou que o governante com a pasta da Saúde, Rui Luís, esteve em
comissão parlamentar, mas, "com o seu silêncio", acabou "por ser
cúmplice da situação".“E,
se, no início, desvalorizou a mesma, esse mesmo silêncio acabou por
desautorizar o próprio presidente do Governo, pelo que duvidamos que
mantenha as condições necessárias para continuar a exercer as suas
funções como secretário regional da Saúde", conclui a social-democrata.A
Proteção Civil dos Açores terá alegadamente recebido dois pedidos de
retirada de doentes (tecnicamente denominada "evacuação médica") quase
em simultâneo: um de uma criança de 13 meses com uma depressão
respiratória num contexto de convulsão febril, na ilha Graciosa, e outro
de uma jovem de 20 anos com um traumatismo cranioencefálico em São
Jorge.A
coordenadora dos médicos reguladores do suporte imediato de vida (SIV) –
que, tal como a reguladora de serviço, rejeitou ser ouvida em comissão -
denunciou uma alegada interferência da presidente do conselho de
administração do Hospital da Ilha Terceira na decisão, numa carta
enviada ao presidente da Proteção Civil dos Açores, mas a Secretaria
Regional da Saúde terá decidido que não haveria motivo para avançar com
um inquérito.Segundo
a coordenadora, a médica reguladora decidiu que seria feita uma
retirada conjunta dos dois doentes, alegando que apresentariam níveis de
gravidade semelhantes, mas, após pressões da diretora do Hospital da
Ilha Terceira, terá sido dada prioridade à doente de São Jorge, que era
familiar de Olga Freitas.A
Força Aérea acabou por socorrer primeiro a doente de São Jorge,
levando-a para São Miguel, onde existe o serviço de neurocirurgia,
fazendo posteriormente uma segunda viagem entre a Graciosa e a ilha
Terceira para transportar a bebé de 13 meses.O
presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos
Açores, Carlos Neves, admitiu na semana passada que as duas evacuações
médicas, quase simultâneas, poderiam ter sido respondidas com maior
rapidez.“Tudo
correu na perfeição? Não. Demorámos muito tempo a tomar a decisão”,
disse, ressalvando que o “caso clínico mais grave foi evacuado
primeiro”.