Vasco Cordeiro considera que acordo de Cooperação e Defesa com EUA deve ser revisto
16 de jan. de 2020, 10:06
— Lusa/AO Online
“Esta é uma relação
profundamente desequilibrada em prejuízo do nosso país e por isso é que
deve ser alterada”, considerou o chefe do executivo regional, durante um
debate parlamentar, na Horta, ilha do Faial, em torno de uma proposta
do PCP, que propunha a revisão do acordo laboral da Base das Lajes, para
salvaguardar o interesse dos trabalhadores portugueses.Em
1995, Portugal e os EUA assinaram, em Lisboa, o Acordo de Cooperação e
Defesa. Esse documento inclui também o acordo técnico, que regulamenta a
utilização da base das Lajes e outras instalações militares
portuguesas, e o acordo laboral, que regula a contratação de
trabalhadores nacionais na base açoriana.O
protocolo criou a comissão bilateral permanente, que ficou incumbida de
promover a sua execução e a cooperação entre os dois países.Na
sequência do anúncio, em 08 de janeiro de 2015, da redução da presença
norte-americana nas Lajes, os Açores apresentaram um plano de
revitalização económica da Terceira, no qual pedem ao Governo nacional
que assegure junto dos EUA 167 milhões de euros anuais, durante 15 anos,
para a ilha.Mais de metade dessa verba -
100 milhões de euros anuais - tem como destino a "reconversão e limpeza
ambiental" de infraestruturas e terrenos construídos e ocupados pelos
Estados Unidos ao longo dos mais de 60 anos, alguns deles com problemas
já diagnosticados de contaminação.O
projeto de resolução apresentado pelo deputado do PCP, João Paulo
Corvelo, pretendia recomendar ao Governo da República que desencadeasse o
processo de revisão do acordo laboral, de forma a defender os
interesses dos trabalhadores portugueses que trabalham na Base das
Lajes, na ilha Terceira. “Pretendemos
defender o número de postos de trabalho, para que seja estabelecido um
contingente mínimo de trabalhadores portugueses – única contrapartida
efetiva face à utilização daquela infraestrutura norte-americana – nunca
podendo, esse contingente, ser inferior a 450 trabalhadores”,
justificou o parlamentar comunista, único do partido no parlamento
açoriano. No parlamento, Vasco Cordeiro
referiu que “a questão dos trabalhadores da Base das Lajes é,
efetivamente, uma matéria importante, mas ao querer resolver, desta
forma, este assunto, o PCP comete um erro”, pois “fixa-se na árvore e
esquece a floresta”.Segundo explicou o
presidente do executivo açoriano, há outras matérias, no âmbito do
acordo que necessitam também de ser revistas e que são tanto, ou mais,
importantes que as questões laborais.“Nós
temos um problema laboral, nós temos um problema ambiental, nós temos um
problema de contrapartidas, nós temos vários problemas que, sem a
motividade e com toda a objetividade, merecem uma solução global”,
justificou Vasco Cordeiro.O governante
açoriano lembrou que a iniciativa de revisão do acordo entre Portugal e
EUA compete ao Estado português, adiantando que os interesses dos Açores
devem ficar salvaguardados nessa futura revisão.O
chefe do executivo disse também que essa eventual revisão do Acordo de
Cooperação e Defesa não compromete as boas relações que atualmente
existem entre Portugal e os Estados Unidos.“Não
é por causa disso que deixamos de ser menos amigos. Não é por causa
disso que deixamos de comungar de um conjunto de valores e de um
conjunto de princípios que, independentemente da transitoriedade dos
governos de um lado e de outro, permanecem e ligam duas democracias”,
frisou Vasco Cordeiro.A proposta do PCP
acabou chumbada com os votos contra das bancadas do PS, CDS e PPM e com a
abstenção do PSD e da deputada independente Graça Silveira. O Bloco de
Esquerda foi o único partido a votar a favor, ao lado do proponente.