Vasco Cordeiro acusa governos dos Açores e República de destruírem o que havia de bom
19.º Congresso Regional do PS/Açores
28 de set. de 2024, 09:24
— Lusa
No primeiro dia do 19.º
Congresso Regional do PS/Açores, que decorre no Teatro Micaelense, em
Ponta Delgada, socialista denunciou as “tentativas de reescrever a
história que procuram pintar” os oito anos em que presidiu ao Governo
Regional (2012 a 2020) como um “tempo desperdiçado em termos de
desenvolvimento”.Vasco Cordeiro defendeu
que a “realidade e os números” demonstram que o partido e os açorianos
se “podem orgulhar” daquele período de governação, evocando as “várias
circunstâncias atípicas e profundamente disruptivas” que aconteceram
entre 2012 e 2020.O antigo presidente do
executivo açoriano lembrou a reforma do modelo de acessibilidade aérea,
“uma reforma proposta, negociada e concretizada pelo Governo Regional do
PS”, que resultou na liberalização nas ligações para São Miguel e
Terceira e a manutenção da “garantia das Obrigações de Serviço Público”
no Faial, Pico e Santa Maria.“É bom
relembrar essa conquista do Governo Regional do PS porque este é um
tempo em que, na República por ação e nos Açores por inércia e por
omissão, os Governos da República e Regional do PSD/CDS/PPM, parecem
mais apostados em destruir o que havia de bom, sem construir nada de
melhor em troca”, acrescentou.Num discurso
de cerca de 55 minutos, Cordeiro lembrou o período da pandemia da
covid-19, onde o executivo regional foi “até ao limite das competências e
recursos” e onde existiram “incompreensões e censuras, algumas delas
até pessoais, por parte do Governo da República de então, infelizmente,
dolorosamente, um Governo da República do PS”.O
ex-chefe do Governo Regional recordou que os Açores foram a “única
região do país à qual a Troika não considerou necessário impor um
programa de ajustamento” e alertou para o estado atual das finanças
públicas regionais.“Em 2019, as receitas
próprias da região eram mais do que suficientes para cobrir as despesas
de funcionamento da administração regional. De acordo com Orçamento
Regional para este ano, em 2024, as receitas próprias da região já não
são suficientes para pagar as despesas de funcionamento da administração
regional”, realçou.Sobre o pós-eleições
regionais de 2020, Vasco Cordeiro criticou a atuação do Representante da
República, “senão mesmo do Presidente da República”, durante o processo
que levou PSD/CDS-PP/PPM ao poder após um acordo com Chega e IL num
“atropelo claro e brutal” do parlamento açoriano.“O
PS/Açores não formou governo em 2020 porque os partidos políticos que,
através da sua presença parlamentar poderiam garantir o respeito pela
vontade que os açorianos expressaram nas urnas nesse ano, recusaram as
possibilidades de negociação e acordo que lhes propus, caso do CDS, do
PPM e do IL”, revelou.Antes da intervenção
foi exibido um vídeo com alguns dos principais momentos da governação
de Vasco Cordeiro, motivando um aplauso de pé da plateia.O
primeiro dia do Congresso do PS/Açores, que começou hoje e decorre até
domingo, ficou marcado pela despedida de Vasco Cordeiro que garantiu que
irá continuar, “para já”, como deputado regional e presidente do Comité
das Regiões da União Europeia.É a primeira reunião magna com Francisco César como novo presidente dos socialistas açorianos.