Vasco Cordeiro acusa Governo de estar "preocupado" com establidade governativa
18 de jul. de 2022, 20:00
— Lusa/AOonline
“Aquilo
que os tempos atuais exigem, na perspetiva do Partido Socialista, é um
Governo que esteja concentrado e mobilizado a 100%. Não na sua
sobrevivência política, mas sim em ajudar as famílias e as empresas
açorianas a ultrapassarem a situação desafiante que se vive”, afirmou
Vasco Cordeiro.O presidente do grupo
parlamentar do PS no parlamento dos Açores, e antigo chefe do executivo
açoriano, falava na abertura das jornadas parlamentares dos socialistas
açorianos, que decorrem até quarta-feira na ilha Graciosa.Vasco
Cordeiro alertou que os Açores vivem “um momento particularmente
desafiante” devido à atual “turbulência" económica, frisando que os
Governos devem ter "a capacidade, competência" e "a liderança de
prevenir os efeitos" da atual conjuntura e "precaver o que está para
vir".“Aquilo que estes dois anos
demonstram, no fundo, é que os Açores não têm um governo à altura das
circunstâncias e das necessidades do tempo que vivemos”, criticou.Para o líder do PS/Açores, o Governo Regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM “acorda tarde para o problema e acorda mal”.“Porque
parece entender o seu papel como se fosse o papel da Rainha da
Inglaterra. Espera sentado e de braços cruzados que lhe apresentem
soluções, esquecendo que o seu dever e a sua obrigação para com as
famílias e as empresas dos Açores é propor soluções, é liderar nas
propostas e submetê-las à apreciação dos parceiros sociais e não ao
contrário”, apontou.Vasco Cordeiro
garantiu que “hoje, como no passado, o PS não falta à chamada das
açorianas e dos açorianos” que “precisam de soluções”, face ao aumento
do custo de vida, “nem que para isso" o partido "tenha que dar soluções a
um Governo que não é o seu”.Na sua
intervenção, na abertura das jornadas, o presidente do grupo parlamentar
do PS na Assembleia Regional apresentou propostas para as famílias e
empresas os Açores fazerem face ao “vertiginoso” aumento dos preços, dos
combustíveis, da inflação e apoios na área da habitação e criação de
programas para as empresas.Vasco Cordeiro referiu, por exemplo, que o Governo Regional “pode” reduzir o imposto sobre os combustíveis.“Pode
fazê-lo tanto quanto seja necessário e deve fazê-lo. Demora em
fazê-lo”, sustentou, acrescentando que, no caso dos gasóleos agrícola e
pescas, “é preciso que o Governo se mexa na contratualização de um apoio
para estes dois setores” com vista a redução dos combustíveis.O
líder regional do PS defendeu ainda que o Governo Regional “pode
majorar” em “30 euros” o apoio às famílias mais carenciadas no acesso
aos bens alimentares devido ao aumento do custo de vida, na sequência da
guerra na Ucrânia. O PS propõe ainda um
programa de "apoio ao aumento dos custos de produção das empresas que
assegure a comparticipação no acréscimo do custo unitário de aquisição
de fatores de produção", desde que se garanta que os consumidores finais
"também beneficiam desta medida".Na
habitação, Vasco Cordeiro sustentou que "é necessário aumentar a
capacidade do sistema de apoio dirigido à renda apoiada" e "aperfeiçoar
as regras que regem a afetação de imóveis de habitação a outros usos",
como é o caso de usos turísticos.No caso
dos apoios às empresas, o líder do PS/Açores lamentou que os apoios à
exportação estejam "suspensos", desde que "acabou o sistema de
incentivos Competir+", no final do ano passado.“Basta
o Governo Regional manter o sistema de incentivos Competir+ em vigor
para permitir que os empresários ainda se possam candidatar”, sustentou
Vasco Cordeiro, afirmando que o PS tem também “soluções” para “atualizar
os custos elegíveis do investimento”, complementado com “a atualização
do montante total de investimento elegível”.“Onde
estão os 125 milhões de euros para a recapitalização das empresas
açorianas que, por decisão desse Governo Regional, foram entregues ao
banco de Fomento Nacional?", questionou.Vasco
Cordeiro vincou que o Governo Regional "está mais empenhado em destruir
o que veio de trás, do que em ter em atenção a necessidade de continuar
uma tarefa de desenvolvimento e de progresso da região".