Várias ONG pedem à UE que mostre liderança no acolhimento de refugiados
13 de jun. de 2022, 11:31
— Lusa/AO Online
“Em resposta
às necessidades crescentes em todo o mundo, os Estados da UE devem
reafirmar urgentemente o seu compromisso com os refugiados e impedir que
os programas de acolhimento sejam reduzidos ainda mais”, indicou a
Amnistia Internacional, a Cruz Vermelha Europeia, a Cáritas Europa,
entre outras Organizações Não Governamentais.Estas
plataformas recordam que a UE nunca cumpriu o seu compromisso de
acolher 30.000 refugiados em 2020, mesmo depois de ter transferido essa
promessa para 2021, a que se soma o compromisso de acolher também 40.000
afegãos entre 2021 e 2022.“Segundo dados
do ACNUR, apenas 8.314 refugiados foram acolhidos na UE em 2020, menos
de metade do ano anterior e representando apenas 0,6% das necessidades
globais”, indicam num comunicado divulgado hoje, no qual especificam que
em 2021 apenas 15.660 refugiados foram recebidos em 12 estados da União
Europeia."A falta de relatórios claros
sobre os compromissos de acolhimento e admissão humanitária dos
Estados-membros e a opacidade dos dados disponíveis publicamente sobre
admissões humanitárias dificultam o rastreamento da implementação real
dos compromissos".O alerta destas ONG, ao
qual também se juntam o Comité Internacional de Resgate, a Comissão das
Igrejas para os Migrantes na Europa, o Conselho Europeu de Refugiados e
Exilados e a Comissão Católica Internacional de Migração, surge depois
de os países da UE desbloquearem na semana passada o Pacto Europeu sobre
Migração e Asilo.Entre o que foi acordado
numa negociação em que quase não houve avanços desde que a Comissão
apresentou sua proposta em setembro de 2020, uma dezena de países
prometeu traduzir essa solidariedade em uma realocação de refugiados
enquanto aqueles que não participam do sistema devem fornecer recursos
financeiros apoio aos Estados beneficiários.As
referidas ONG salientam que “o acolhimento deve continuar a ser uma
ferramenta de proteção e responsabilidade partilhada e não deve ser
instrumentalizado ou utilizado como ferramenta de gestão da migração
para reduzir o acesso ao asilo na Europa”.Acrescentam
que as "deficiências e atrasos" na receção de refugiados deixaram
muitas pessoas que fugiram da Síria, Afeganistão, República Democrática
do Congo, Sudão ou Eritreia no "limbo" e aumentaram a pressão sobre os
países que " há muito tempo acolhem a grande maioria dos refugiados do
mundo", situação agravada pela covid-19 e pela guerra na Ucrânia.