Variação dos preços da habitação em Portugal é mais do dobro da OCDE
16 de dez. de 2024, 17:22
— Lusa/AO Online
Numa
análise à última década (2013-2023), os autores do estudo concluíram
que os preços da habitação em Portugal mais do que duplicaram (121%), “o
que representa um aumento real (acima da inflação) de 81%”.Apesar
de notarem que o aumento real dos preços da habitação é um fenómeno à
escala global, a variação portuguesa é mais do dobro da registada na
média (cerca de 40%) das economias desenvolvidas da Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Económico e mais de quatro vezes a
registada na Zona Euro, que apresenta uma variação real abaixo dos 20%.Para
a Causa Pública, o período atual dos último dez anos registou, em
Portugal, um “forte aumento dos preços da habitação, com os rendimentos a
não serem capazes de os acompanhar” e esta tendência “continuou mesmo
durante o período de pandemia e da posterior subida das taxas de juro”.“O aumento dos preços da habitação ao longo de 2024 não sugere uma inversão da tendência”, avisou a associação.Outros
dados revelam que, em média e no mesmo período, os preços da habitação
em Portugal cresceram 6,1 pontos percentuais por ano acima da taxa de
inflação, enquanto os rendimentos, nas mesmas condições, apenas
cresceram 0,9 pontos percentuais.“Portugal
está assim no pelotão da frente em termos de aumento dos preços reais
da habitação: é o quarto país da OCDE com aumentos mais relevantes, o
segundo da União Europeia e o primeiro da Zona Euro”, vincou a Causa
Pública.Os autores argumentam que noutros
países onde existiram, igualmente, grandes aumentos nos preços do
imobiliário (casos da Hungria ou da Irlanda), o crescimento dos
rendimentos permitiu que, em média, a população acomodasse parte do
aumento de preços observado no mercado da habitação, o que não sucedeu
em Portugal.“Pelo contrário, se tivermos
em conta a dinâmica entre a evolução dos rendimentos e dos preços da
habitação, a posição relativa de Portugal deteriorou-se. Em Portugal, o
agravamento do índice de acessibilidade habitacional tem sido muito
superior à média da OCDE, da Zona Euro e dos restantes países do Sul da
Europa”, observaram.O estudo, coordenado
pelo economista pelo economista Guilherme Rodrigues e redigido por Ana
Drago, João Reis, Guilherme Ferreira e Nuno Serra, também indica, aliás,
que no mesmo período, Portugal surge como o país da OCDE em que este
índice mais se deteriorou.“O facto de
Portugal estar numa trajetória mais drástica do que países como o Canadá
e a Nova Zelândia, que, entre outras políticas, recorreram a medidas
heterodoxas como a proibição de compra de imóveis por não residentes,
mostra o grau de gravidade e a urgência da crise habitacional nacional”,
frisaram.Já sobre os preços praticados no
território português, estes apontam para mais do dobro do custo de uma
habitação entre 2013 e 2024 – a que corresponde um aumento médio de 7,2%
ao ano - com a Área Metropolitana de Lisboa (Grande Lisboa e Península
de Setúbal), a Área Metropolitana do Porto e o Algarve a registarem os
maiores aumentos de preços.Já o Alto
Tâmega e Barroso, Douro e o Alto Alentejo foram as regiões que tiveram
aumentos de preços muito inferiores à média nacional.“Estes
fortes aumentos contribuem para que a taxa de sobrecarga das despesas
em habitação (agregados familiares cujo peso das despesas associadas à
habitação é superior a 40%) seja maior no Algarve, seguindo-se a Área
Metropolitana de Lisboa”, assinalaram.Ainda
segundo a Causa Pública, a crise habitacional “ao incidir de forma
particular na Grande Lisboa, Península de Setúbal e Área Metropolitana
Porto, a par do seu impacto no Algarve, mais relacionado com as
dinâmicas turísticas”, assume um caráter essencialmente metropolitano.“Sendo
Portugal um dos países com uma das crises mais graves de habitação
entre as economias avançadas, a Área Metropolitana de Lisboa constitui o
epicentro dessa crise”, enfatizou a associação.