Vantagem de colégios face a escolas públicas anula-se quando escolaridade dos pais é igual
Hoje 11:52
— Lusa/AO Online
Este é um dos
resultados do estudo da Edulog realizado com 6.513 alunos do último ano
do pré-escolar e dos 1.º e 2.º anos de escolaridade para perceber como
se preparam as crianças para aprender a ler e escrever, avaliar a
literacia entre os mais novos e conhecer os fatores que mais influenciam
o processo.Os investigadores do Projeto
LER concluíram que o fator que mais influencia o sucesso académico é a
formação académica dos pais: Os alunos com “pelo menos um progenitor com
ensino superior apresentam melhores resultados”.Numa
comparação entre escolas públicas e privadas, os alunos dos colégios
tiveram melhores desempenhos, mas os investigadores perceberam que a
“vantagem inicial” destes alunos era “pouco significativa” após
“controlar a escolaridade parental”.“Quando
se tem em conta a escolaridade dos pais, a vantagem das escolas
privadas praticamente desaparece”, lê-se no estudo apresentado na
conferência internacional anual do Edulog, da Fundação Belmiro de
Azevedo.A grande diferença é que nos
colégios a grande maioria dos alunos (88%) tem pelo menos um pai com
formação superior, enquanto nas escolas públicas esses casos são uma
minoria (46%).A ideia de que os alunos das
escolas privadas tinham melhores resultados já tinha sido revelada no
ano passado pelo Ministério da Educação, quando divulgou os resultados
dos testes diagnóstico de fluência leitora, no qual participaram cerca
de 93 mil alunos do 2.º ano.Na altura
ficou a saber-se que, em média, os alunos conseguem ler de forma correta
75 palavras num minuto, ficando dentro do intervalo de referência
internacional para o final do 2.º ano, que está entre 70 a 130 palavras.Mas
o estudo apontava o dedo para um quarto dos alunos que só conseguiam
ler até 51 palavras num minuto, colocando-os “em risco de dificuldades
de compreensão leitora”, alertava então o Instituto de Avaliação
Educativa (IAVE).Implementado no ano
letivo de em 2024/25 em 184 escolas, o Projeto Ler mostra progressões
consistentes no desenvolvimento das competências de leitura e escrita ao
longo do tempo.No pré-escolar, por
exemplo, as crianças melhoraram os seus conhecimentos de letras e da
consciência fonológica e entre as crianças do 1.º ciclo notou-se um
"crescimento consistente da literacia". No
entanto, os investigadores perceberam que metade dos alunos lê menos de
37 palavras por minuto no final do 1.º ano e 25% lê menos de 21
palavras por minuto.Os investigadores
apresentaram algumas recomendações para melhorar o nível de leitura,
como jogos orais para desenvolver a consciência fonológica e conhecer
melhor a ligação entre o som e a letra no pré-escolar ou a "leitura
regular em casa" e "interação com livros e histórias".