Valor médio da avaliação bancária da habitação subiu 329 euros em apenas um ano

Hoje 10:40 — Rui Jorge Cabral

Os Açores registaram o maior aumento a nível nacional no valor mediano da avaliação bancária da habitação, com uma subida de 329 euros entre junho de 2025 e junho deste ano.Os dados são do Instituto Nacional de Estatística (INE) e mostram que os Açores registaram uma subida homóloga de 24% no valor mediano da avaliação bancária da habitação, bastante acima da subida média nacional, que foi ainda assim de 16,6%.Contudo, apesar destes dados revelarem que a procura por habitação está em alta nos Açores, o valor médio de avaliação bancária da habitação (que inclui apartamentos e moradias) de 1697 euros por metro quadrado (m2) registado em junho deste ano é ainda assim o terceiro mais baixo entre as 10 regiões do país analisadas pelo INE.E se é verdade que o valor médio da avaliação bancária da habitação subiu nos Açores em apenas um ano de 1368 euros por m2 para 1697 euros por m2, basta olhar para o arquipélago vizinho da Madeira para verificar que este mesmo valor estava em junho deste ano em 2609 euros por m2.A nível nacional, segundo os dados do INE, os Açores são a terceira região do país com o mais baixo valor mediano da avaliação bancária da habitação, apenas à frente das regiões do Alentejo e do Centro, ambas com um valor médio de 1415 euros por m2 no passado mês de junho.Pelo contrário, se olharmos para o topo da tabela nacional, verificamos que é na região da Grande Lisboa que se batem neste momento todos os recordes de valorização da habitação em Portugal.Isto porque, o valor mediano da avaliação bancária da habitação atingiu os 3348 euros por m2 no passado mês de junho, sendo que a nível nacional apenas o Algarve (por tradição, a região mais turística de Portugal) se aproxima dos valores de Lisboa, com 2942 euros por m2 no passado mês de junho.A Madeira está em quarto lugar a nível nacional e antes dos Açores, ao nível do valor mediano da avaliação bancária das habitações estão ainda as regiões da Península de Setúbal (2760 euros por m2), do Norte do País (1902 euros por m2) e do Oeste e Vale do Tejo (1761 euros por m2).Refira-se, por fim, que nos Açores são sobretudo os apartamentos que mais puxam o valor mediano da avaliação bancária das habitações para cima, tendo atingido em junho deste ano o valor de 2400 euros por m2.Um valor que é bastante mais elevado do que o valor médio da avaliação bancária das moradias, que nos Açores era em junho de 1560 euros por m2.Mercado está a ajustar-sePerante estes dados, impõe-se a questão a um profissional do setor imobiliário nos Açores: quais são os motivos para os Açores terem registado no último ano a maior subida no valor médio da avaliação bancária da habitação a nível nacional?Em declarações ao Açoriano Oriental, o sócio-gerente da imobiliária ComprarCasa Ponta Delgada, António Afonso, explica que “o motivo principal é o facto da avaliação bancária ter tido anteriormente valores muito pouco significativos em termos de aumento, ao contrário daquilo que acontecia na média nacional e também nos principais mercados, como Lisboa e Porto e aquilo que neste momento está a acontecer é um ajuste” ao mercado.António Afonso destaca ainda que a avaliação define o interesse da banca em financiar a habitação, pelo que quando este valor sobe, acompanhando os valores do mercado, dá mais hipótese aos compradores de poderem obter o financiamento necessário para a adquirirem uma habitação.Relativamente a quem compra, António Afonso reconhece que neste momento os compradores estrangeiros e continentais estão em destaque nos Açores, sendo que os emigrantes “representam aqui uma fatia também importante” do mercado estrangeiro.Por outro lado, o mercado regional “está reduzido ao mínimo e a procura é por um tipo específico de produto, que é a moradia, porque esta não teve um aumento tão significativo como os apartamentos”, reconhece António Afonso. Além disso, conclui, “os apartamentos são mais interessantes para os compradores de outras nacionalidades e mesmo emigrantes, pela comodidade de utilização e pelos menores custos de manutenção”.