Vale do Ave reconhece problema devido défice de motoristas
Hoje 11:21
— Lucas Rebelo
A Vale do Ave reconhece que os dias iniciais da operação da AzoresBus ficaram marcados por “algumas dificuldades”, entre elas estar a operar com menos de cerca de 20% dos motoristas, afirmando que está “fortemente empenhada” em assegurar a prestação de um serviço de transportes de “qualidade”. Através nota de imprensa, a empresa destaca também que tem como objetivo cumprir “integralmente os padrões, níveis de oferta, horários e demais requisitos estabelecidos no contrato de concessão em vigor”.Contudo, é referido que uma alteração desta dimensão não deve ser avaliada unicamente pelos seus primeiros dias de funcionamento, visto que representa uma “mudança estrutural no transporte público de São Miguel”.O comunicado prossegue dizendo que a AzoresBus foi criada para disponibilizar uma “rede mais integrada, com maior oferta, novos meios tecnológicos, melhor informação ao passageiro e uma maior capacidade de resposta às necessidades de mobilidade da população”. “A consolidação deste modelo exige tempo, adaptação e colaboração entre todos os intervenientes”, indica a Vale do Ave.A empresa esclareceu também a situação do quadro de motoristas, indicando que se verificaram, até ao momento, sete cessações de funções por iniciativa dos trabalhadores, com efeitos imediatos, e 11 situações de ausência por motivo de doença, das quais sete tiveram início já depois do primeiro dia de setembro, o que representa cerca de 20% do quadro inicial. “É um facto objetivo que a saída e ausência simultânea de um número significativo de profissionais, muitos deles no próprio dia de execução do serviço, precisamente no momento de entrada em funcionamento de uma nova rede, constituiu um fator inesperado de pressão sobre a operação”, refere a nota de imprensa. Perante as referidas ausências, a empresa está a desenvolver “esforços para reforçar o quadro de motoristas, procurando recuperar rapidamente a margem de segurança necessária à operação”.No que diz respeito à organização dos tempos de trabalho, a empresa “cumpre integralmente a legislação laboral aplicável e as regras estabelecidas no contrato coletivo de trabalho em vigor na ilha de São Miguel”.Por força do “aumento da oferta definido no contrato de concessão”, foi necessário realizar uma “alteração das necessidades operacionais e um aumento das horas médias de condução relativamente ao modelo anteriormente existente”, sendo esse aumento realizado “dentro dos limites legais aplicáveis”.“Não está em causa o cumprimento das regras relativas aos períodos de condução, pausas, descansos e tempos de trabalho. A segurança dos passageiros e dos profissionais constitui uma prioridade absoluta para a Vale do Ave”, deixa claro o comunicado.Relativamente à questão dos transportes escolares, a Vale do Ave esclarece que nem todos os serviços realizados pelos anteriores operadores integram a atual concessão de transporte público, existindo, deste modo, “serviços específicos de transporte escolar” que não estão “previstos” no contrato de concessão em vigor, não podendo ser considerados “obrigações da Vale do Ave enquanto concessionária”.A empresa indica que, entre abril e julho de 2026, reuniu com as escolas da ilha, procurando “identificar antecipadamente os serviços necessários que não estavam contemplados na nova concessão”, sendo que as “situações identificadas” foram comunicadas às entidades competentes.“Durante o mês de setembro, a empresa voltou a estabelecer contactos com diversos estabelecimentos de ensino, procurando encontrar soluções complementares que permitam responder às necessidades identificadas”, destaca a nota de imprensa. A Vale do Ave indica ainda que acredita no projeto, afirmando que a AzoresBus pode representar um “salto qualitativo no transporte público de São Miguel”, agradecendo aos trabalhadores e aos passageiros “pela compreensão demonstrada”.