Vacinas evitaram mais de 250 mil mortes na UE em 2021
Covid-19
5 de dez. de 2022, 18:11
— Lusa/AO Online
“Estima-se que as vacinas tenham
evitado mais de 250 mil mortes em toda a UE apenas em 2021, embora as
taxas de vacinação entre grupos vulneráveis tenham permanecido bastante
baixas em alguns países”, refere o relatório da Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e da Comissão Europeia
(CE) sobre vários indicadores de saúde nos anos da pandemia.O
documento diz que um dos efeitos colaterais positivos da pandemia é que
ajudou a aumentar a cobertura da vacinação contra a gripe sazonal entre
idosos e outros grupos vulneráveis, apontando o exemplo da Dinamarca,
onde a cobertura de vacinação entre pessoas com mais de 65 anos aumentou
23 pontos percentuais em 2020 em comparação com 2019, chegando aos 75%.A
OCDE e a CE alertam também que a `long covid´ - a permanência de
sintomas após a infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2 - “surgiu como uma
nova condição crónica que exigirá mais investigação para melhorar o
diagnóstico e o tratamento e uma coordenação entre prestadores de
cuidados primários e especialistas” de saúde.“As
estimativas preliminares indicam que pelo menos 10% das pessoas
infetadas com covid-19 experimentam alguns sintomas de `long covid´ que
duram mais de um mês, o que significa que afetou e possivelmente
continua a afetar mais de 25 milhões de pessoas em todos os países da
EU”, avança o relatório.Os dados agora
divulgados referem ainda que os atrasos no rastreio do cancro durante os
primeiros anos da pandemia levaram a que muitos doentes oncológicos
fossem diagnosticados em fases mais avançadas, “tornando o seu
tratamento mais complexo e reduzindo as suas hipóteses de
sobrevivência”.“As taxas de rastreio do
cancro da mama diminuíram na maioria dos países da UE em 2020, com uma
redução média de 6% em 16 países da UE com dados disponíveis. A redução
foi geralmente maior nos países que já tinham taxas baixas antes da
pandemia”, adianta o documento.Os dados
indicam que a Dinamarca, Finlândia e Irlanda estão entre os poucos
países que não suspenderam os seus programas de rastreio do cancro em
2020 e, por isso, “não sofreram uma queda significativa no rastreio do
cancro da mama”.“Os diagnósticos e
tratamentos tardios do cancro têm custos elevados, tanto para os doentes
como para os sistemas de saúde. Adiar o tratamento cirúrgico para
cancros comuns aumenta o risco de morte em cerca de 7%, enquanto adiar a
quimioterapia ou a radioterapia em quatro semanas aumenta o risco de
morte em até 13%”, alerta a OCDE.O
relatório refere também que, em 2020, foram realizados menos dois
milhões de intervenções cirúrgicas programadas (como cirurgias às
cataratas e à anca e joelho) do que em 2019 nos países da UE, aumentando
os tempos de espera dos doentes.“Muitos
países da UE disponibilizaram fundos adicionais para fazer face a estes
atrasos, mas o principal constrangimento ao aumento do volume de
procedimentos tem sido a escassez de trabalhadores da saúde”, sublinha o
documento.O relatório considera positivo o
rápido desenvolvimento de teleconsultas no início de 2020, que ajudou a
manter o acesso aos cuidados de pessoas com doenças crónicas, mas
alerta para os riscos do aumento das desigualdades em saúde, através da
exclusão digital de pessoas mais velhas, mais pobres e que vivem em
zonas rurais.Ao nível da saúde mental, em
vários países europeus, como a Bélgica, a Estónia, a França, a Suécia e a
Noruega, a percentagem de jovens que reportam sintomas de depressão
mais do que duplicou durante a pandemia, atingindo níveis de prevalência
pelo menos duas vezes mais elevados do que nas faixas etárias mais
velhas, refere o documento.