Vacina traz "alívio" a primeiro lar a recebê-la na ilha Terceira
Covid-19
31 de dez. de 2020, 13:44
— Lusa/AO Online
“Estamos
muito felizes por terem começado por aqui. Vai ser um alívio para nós
saber que os utentes e as funcionárias foram vacinados. Era uma
preocupação grande. Vivemos estes meses todos nesta angústia e nesta
incerteza”, avançou, em declarações aos jornalistas, João Gil,
presidente da instituição.O relógio ainda
não tinha batido as 10:00 locais (11:00 em Lisboa) quando a primeira
utente foi vacinada e menos de uma hora depois já as duas enfermeiras se
preparavam para rumar ao próximo lar de idosos, na freguesia vizinha.No
último dia de 2020, a vacina contra a covid-19 deverá chegar a utentes e
funcionários de cerca de 80% dos lares de idosos da ilha Terceira.Neste
lar de uma das freguesias mais rurais da ilha vivem 15 utentes e
trabalham 11 funcionários. Quase todos aceitaram ser vacinados.“Apenas
uma funcionária não aceitou por problemas de alergias e uma outra já
teve covid-19. Dos idosos, apenas uma senhora de 105 anos, a família
achou melhor não ser vacinada”, revelou João Gil.O
centro social de São Francisco Xavier conseguiu, até agora, evitar a
entrada do novo coronavírus na instituição. Apenas uma funcionária
adoeceu, mas quando estava de férias.O
presidente da instituição espera, no entanto, que a vacina possa
permitir em breve um alívio das medidas mais restritivas, que têm
afetado os idosos.“Estamos mais confiantes
de que os idosos estão protegidos e de que em pouco tempo as famílias
os possam visitar, com mais assiduidade, o que não tem acontecido, e que
até os idosos possam sair, porque eles estão metidos nesta prisão desde
março deste ano que está a acabar”, salientou.Ilda da Conceição, 98 anos, uma das utentes mais velhas da instituição, foi a primeira a ser vacinada.“Quase nem senti. Não me dói nada”, disse, acrescentando que foram os filhos que tomaram a decisão.Carlos Xavier, que partilha o nome da instituição, viu nesta vacina um sinal de esperança.“Foi um bem de Deus. Precisava era que toda a gente lutasse contra esta pandemia”, adiantou, aos microfones dos jornalistas.Há
“muitos anos” que o reumatismo o afeta e o obriga a estar preso a uma
cadeira de rodas, mas não se queixa, nem do isolamento que a pandemia
impôs.“Primeiro estranhei, mas estou aqui
muito bem. Seja pelo amor de Deus, estou aqui muito bem acompanhado. Não
me falta nada”, reiterou.O início do
processo de vacinação na freguesia do Raminho teve um caráter simbólico,
segundo o vice-presidente do Governo Regional dos Açores, que tutela a
Solidariedade Social, Artur Lima.“Quis dar
o sinal de vir aqui, porque a proteção começa pelos mais pequeninos,
pelos mais frágeis e pelos mais debilitados”, explicou.Enquanto
no resto do país, a vacinação começou pelos profissionais de saúde, nos
Açores, arrancou nos lares de idosos, em simultâneo nas ilhas Terceira e
São Miguel, as duas em que já foi detetada transmissão comunitária do
novo coronavírus. “Os nossos idosos
cuidaram muito bem de nós e nós temos a obrigação, o dever ético e moral
de os proteger e de os tratar bem. É com esse espírito que o Governo
Regional decidiu, em Conselho de Governo, que a prioridade seria dos
mais frágeis, dos mais debilitados, que necessitam de proteção”,
justificou Artur Lima.O primeiro lote de
vacinas da Pfizer-BioNTech, com 9.750 doses, chegou na quarta-feira à
noite aos Açores e vai permitir vacinar 4.875 pessoas.Segundo
o vice-presidente do executivo regional, a maioria dos utentes e
funcionários aceitou ser vacinada, ainda que alguns tenham manifestado
dúvidas, que foram esclarecidas pelas unidades de saúde de ilha.“Organizar
o consentimento informado de quase 3.000 pessoas não é fácil, porque
vão ser vacinados quer os utentes dos lares, quer os funcionários dos
lares para a proteção ser o mais elevada possível”, frisou, ressalvando
que o processo “correu excecionalmente bem”.Artur
Lima anunciou ainda que no início de 2021, “o Governo Regional vai
implementar um programa de formação de gestão de surtos nos lares e
estruturas residenciais para idosos”.