Vacina contra meningite B vai ser gratuita durante primeiro ano de vida
27 de dez. de 2019, 12:05
— Lusa/AO Online
Esta vacina, contra a doença invasiva
meningocócica B, será dada aos dois, quatro e 12 meses e vai aplicar-se,
a partir de outubro de 2020, a todos os nascidos a partir de 01 de
janeiro de 2019.Para os nascidos em 2019 o esquema de vacinação será iniciado ou completado de acordo com a história vacinal individual. Segundo
explicou à agência Lusa a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, as
crianças que nasceram a partir de janeiro de 2019 poderão em outubro
iniciar o esquema de vacinação e fazer as três doses da vacina caso
ainda não tenham levado nenhuma.Isto porque a vacina já é comercializada e administrada em Portugal atualmente, mas mediante o pagamento das famílias.Assim,
os nascidos durante este ano podem a partir de outubro iniciar ou
completar o esquema de vacinação da meningite B de forma gratuita.A
vacina pode ser administrada até aos cinco anos, mas no novo Programa
de Vacinação a iniciar em outubro de 2020 a recomendação da toma da
vacina da meningite B será aos dois, quatro e 12 meses.Além
desta, o Programa Nacional de Vacinação passa a incluir a vacina contra
infeções pelo vírus do papiloma humano (HPV) para todos os rapazes, aos
10 anos, aplicando-se aos nascidos a partir de 01 de janeiro de 2009.A
vacina do HPV passa então, a partir de outubro de 2020, a ser dada não
apenas a raparigas, mas também a rapazes. A vacina será administrada em
duas doses.Quanto à vacina contra o
rotavírus, que provoca gastroenterites, serão ainda estudados os grupos
de risco a quem será administrada de modo gratuito, também a partir do
próximo ano.Em conferência de imprensa, a
diretora-geral de Saúde explicou que a inclusão das três vacinas no PNV
teve o aval da comissão técnica de vacinação.Foi
aliás com base nesse aval técnico que a vacina do rotavírus não será
contemplada de forma universal, para todos, mas apenas para alguns
grupos de risco que serão estudados.Segundo
Graça Freitas, na Europa há cerca de 11 países que recomendam a vacina
de forma universal, havendo outros que a aplicam apenas a grupos de
risco e ainda outros países que não a contemplam nos programas vacinais
nem a comparticipam.O Orçamento do Estado para 2020 contempla 11 milhões de euros para o alargamento do Programa de Vacinação. Estas
vacinas já tinham sido aprovadas pela Assembleia da República em 2018
para constarem do PNV, o que na altura chegou a desencadear críticas por
ser o poder político a decidir antes dos técnicos.Na
altura, o bastonário da Ordem dos Médicos considerou um erro que o
parlamento tenha aprovado as três novas vacinas no PNV quando a DGS
ainda estava a estudar o assunto.Miguel
Guimarães dizia ver “com muita preocupação” o facto de os deputados
“estarem a interferir nas boas práticas em saúde”, sobretudo quando
existe uma comissão técnica independente, de “pessoas com conhecimento
científico específico na área da vacinação”, que estava a estudar se as
três vacinas deviam integrar o Programa Nacional de Vacinação.A diretora-geral de Saúde sublinhou que “foi com o aval” da comissão técnica que as vacinas serão introduzidas no PNV.