Utentes melhor servidos com obras do Centro de Saúde do Nordeste
Hoje 10:34
— Nuno Martins Neves
O presidente do Governo Regional dos Açores fez da obra de
requalificação do Centro de Saúde do Nordeste um exemplo do que deve ser
a política pública: em vez de se fazer de novo, aproveitar e
requalificar o que existe. Foi isso que foi feito naquela
infraestrutura, onde o investimento de um milhão de euros permitiu
atender às exigências de conservação que o edifício tinha “há largos
anos”.Aos jornalistas, José Manuel Bolieiro afirmou que as
patologias identificas foram eliminadas com a intervenção, “mas fizemos
mais, porque conseguimos através de uma reabilitação, qualificar este
centro de saúde no que diz respeito à sua segurança infraestrutural e
também à utilização de soluções amigas do ambiente. Hoje temos melhores
condições aqui para prestar cuidados de saúde e para trabalhar”.Segundo
o executivo de coligação PSD/CDS/PPM, a intervenção contemplou a
reabilitação estrutural de elementos em betão armado, a correção de
patologias construtivas, a recuperação de fachadas e coberturas, a
renovação das redes de abastecimento de água e de combate a incêndios e a
instalação de novos sistemas de produção e distribuição de águas
quentes sanitárias. Foram ainda modernizadas diversas infraestruturas
técnicas essenciais e realizadas melhorias em áreas como a Unidade
Básica de Urgência, consultas externas, fisioterapia, radiologia e
serviços administrativos.Paralelamente à empreitada promovida pela
Direção Regional das Obras Públicas, a Unidade de Saúde da Ilha de São
Miguel realizou ainda trabalhos complementares considerados essenciais
para potenciar os ganhos da reabilitação efetuada, incluindo a
substituição de pavimento vinílico hospitalar em áreas clínicas
diferenciadas e a impermeabilização de uma cobertura plana. Foram
igualmente mobilizados recursos próprios para intervenções de pintura
interior, recuperação de mobiliário, manutenção de equipamentos e
pequenas adaptações funcionais dos espaços, sem recurso a contratação
externa.De recordar que, em 2024, o Governo Regional já tinha dotado
a infraestrutura com um equipamento de raio-X, no valor de 300 mil
euros.Com 4924 utentes inscritos, o Centro de Saúde do Nordeste conta com uma taxa de cobertura de médico de família de 99,2%.“O
Centro de Saúde do Nordeste, é exemplar: temos quase 100% de cobertura
de pessoas com médico de família. Temos condições aqui - agora até vamos
procurar duplicar camas para internamento - e vamos ter um apoio da
Santa Casa da Misericórdia, face às obras que vamos realizar, para os
idosos internados”, acrescentou Bolieiro.Reabilitar em vez de construirPara
José Manuel Bolieiro, o que foi feito no Nordeste pode e deve ser
replicado pelo resto do arquipélago, em várias áreas, não só na saúde,
como também na educação. Mas para isso, entende, é preciso que Bruxelas
direcione verbas para a área da requalificação, uma pedagogia que o
governante pretende fazer.“Tenho procurado fazer pedagogia neste
novo período de programação financeira plurianual da UE, pois muitos
apoios - como o PRR, por exemplo - estão focados para a coisa nova. E eu
acho que é muito importante a própria Europa - enquanto uma das mais
antigas sociedades do mundo e com muita sofisticação em edificados -
precisa de ter a possibilidade de ter reabilitação, requalificações e
até refuncionalização das existentes”.Voltando ao exemplo do
Nordeste, Bolieiro assinala que “neste edifício, havia espaços que
estavam inutilizados há vários anos, porque infiltrações ou falta de
qualificação não permitiam a sua utilização”.“É preciso ter uma
estratégia de reabilitação, de requalificação das áreas que estão
construídas, são funcionais, precisam de requalificação e, até em alguns
casos, de refuncionalização nos espaços internos de cada edificado”,
referiu.Para Bolieiro, é essencial uma mudança de mentalidade, até
mesmo política pois reconhece que “a inauguração de uma obra de
reabilitação não tem tanta pompa e circunstância” quanto a de um
edifício novo.“Portanto, temos mesmo que mudar a nossa mentalidade
e, em alguns casos, sim olhar criticamente sobre a utilidade de fundos
comunitários quando eles esgotam ou fazem exaurir as disponibilidades do
orçamento próprio da Região ou da autarquia ou do Estado para estes
processos de reabilitação e requalificação”.