UTAO contraria Governo e classifica apoios à TAP e à SATA como recorrentes
OE2021
22 de out. de 2020, 17:42
— Lusa/AO Online
Segundo a Apreciação
preliminar da Proposta de Orçamento do Estado para 2021, realizada pela
UTAO e conhecida, esta quinta-feira, a que a Lusa teve acesso, a classificação como
medidas recorrentes dos empréstimos e garantias prestados às duas
companhias aéreas levam um impacto sobre o saldo orçamental em
percentagem do PIB de – 0,5 p.p. [pontos percentuais] em 2020 e +0,3 p.p
em 2021". O Governo, por seu lado, prevê
um impacto de -1,2 p.p. em 2020 e -0,0 p.p. em 2021, de acordo com a
terceira versão apresentada pelo Ministério das Finanças à UTAO. Na
base desta diferença está a discordância da UTAO quanto à
"classificação das operações de empréstimo e garantia às empresas de
transporte aéreo" como temporárias."Só em
situações muito excecionais previstas nas orientações da Comissão
Europeia, medidas que aumentam a despesa podem ser consideradas como
temporárias ou não-recorrentes", segundo a UTAO.Assim,
"tendo em conta a situação económico-financeira das empresas em causa
já no período anterior à emergência de pandemia covid-19, considera-se
que estas operações de aumento de despesa não se enquadram nessas
situações de exceção"."O empréstimo à TAP e
a garantia concedida à SATA em 2020 não podem ser consideradas pontuais
e agravam o saldo orçamental nesse ano em 1.333 ME. Para 2021,
encontra-se prevista a concessão de uma garantia a um empréstimo a obter
pela TAP nos mercados financeiros que agrava o saldo orçamental de 2021
em 500 ME", pode ler-se no relatório da UTAO.De
resto, "pela variação do valor que assumem nos dois anos, estas
operações contribuem para melhorar o saldo orçamental em 2021 face a
2020 em 833 ME, o correspondente a + 0,4 p.p. do PIB".