Uso de telemóveis gera problemas de socialização nas crianças
17 de jul. de 2024, 09:48
— Lusa/AO Online
“É
normal vermos os miúdos, do 1º, do 2º e do 3º ciclo do ensino básico,
nos corredores das escolas, sentados no chão, e de telemóveis na mão”,
explicou o sindicalista na Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia
Regional.Na audição parlamentar, realizada
na ilha Terceira, António Lucas acrescentou que os alunos “passam
demasiado tempo” nos tablets e nos telemóveis, e “os pais não têm noção
da falta de socialização” que isso provoca.O
presidente do SPRA, que foi auscultado a propósito de uma proposta do
Bloco de Esquerda, que pretende reduzir o uso de ecrãs nos recreios das
escolas dos Açores, lembrou que a influência das aplicações de
telemóveis, com origem no Brasil, por exemplo, está a alterar a forma
como as crianças falam.“Nós hoje temos um
número significativo de crianças no ensino pré-escolar que, apesar de
terem pais portugueses, falam brasileiro”, exemplificou António Lucas,
provocando alguns risos entre os deputados ao parlamento açoriano, que
se encontravam na comissão.Segundo
explicou, o uso excessivo de telemóveis ou tablets nas escolas provoca
também inércia junto dos estudantes e até aversão a algumas disciplinas,
dando como exemplo a Educação Física, que se tornou numa “disciplina
problemática para os alunos”.“Isso
demonstra a questão da inatividade dos alunos”, alertou o sindicalista,
lamentando que a Educação Física, que antigamente era uma das
disciplinas preferidas da maioria dos alunos, se tenha transformado,
entretanto, “num papão, como a Matemática”.Por
tudo isto, António Lucas disse concordar com a proposta do BE, de
reduzir o uso de ecrãs nos recreios das escolas e sugeriu mesmo que a
medida abrangesse os alunos do 3º ciclo do ensino básico, além dos
alunos do 1º e do 2º ciclos, que figuram na resolução dos bloquistas.O
Bloco de Esquerda defende também a restrição do uso de manuais
digitais, seguindo o exemplo dos países nórdicos (os primeiros a
verificar os malefícios das novas tecnologias na aprendizagem das
crianças), mas, nesta matéria, o SPRA tem outro entendimento.“O
manual, quer seja em papel, quer seja em formato digital, é apenas uma
linha orientadora! Tudo o resto, o professor deve enriquecer o melhor
que souber e puder”, justificou António Lucas, defendendo que o uso dos
manuais digitais deve depender de cada docente.De
acordo com os dados recolhidos pelo SPRA, a maioria das participações
feitas pelos professores, sobre o comportamento dos alunos, está
relacionado com o uso indevido dos telemóveis nas salas de aula.