Universitários do Porto querem testar projeto-piloto de semana de 4 dias de aulas
13 de fev. de 2023, 11:59
— Lusa/AO Online
A
proposta de quatro dias de aulas nas Instituições de Ensino Superior
(IES), que já foi enviada para a tutela - Ministério da Ciência,
Tecnologia e Ensino Superior -, contempla “um período de implementação”
que seria o “primeiro semestre do ano letivo 2023-24” e os ciclos de
estudo a aplicar a propostas seriam nas “licenciaturas e mestrado
integrado”, nos “2.º, 3.º ou 4.º anos”, lê-se no documento a que a Lusa
teve hoje acesso.Ter um dia livre nas IES
para os ciclos de estudos abrangidos pelo projeto-piloto, reduzir a
carga horária em contexto de sala de aula, e promover a inovação
pedagógica através de novos métodos de ensino-aprendizagem, incluindo o
recurso a ferramentas digitais, são os primeiros requisitos elencados na
proposta da FAP.Desenvolver ações de
formação para os professores sobre métodos e metodologias mobilizadas
para o projeto e disponibilizar atividades de desenvolvimento
transversal e valorização do envolvimento de estudantes através do
reconhecimento de créditos no suplemento ao diploma também fazem parte
do rol de requisitos para implementar aos quatro dias de aulas.A
avaliação do projeto-piloto terá de ser através de “autoavaliação em
cada IES”, envolvendo estudantes, docentes e centro de investigação. O
projeto-piloto da FAP define também a existência de uma comissão de
acompanhamento em que estejam presentes representantes do Ministério da
Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Direção-Geral de Ensino Superior,
Agência De Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, Conselho de
Reitores das Universidades Portuguesas, Conselho Coordenador dos
Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Associação Portuguesa do
Ensino Superior Privado e representantes dos estudantes.“A
proposta desenvolvida não pretende que as IES funcionem apenas durante
quatro dias por semana. Pretende uma reorganização da jornada de aulas.
(…). Se nunca testarmos, nunca saberemos se resulta”, defende a
presidente da Federação Académica do Porto (FAP), Ana Gabriela Cabilhas.Para
a FAP, o formato das aulas, sobretudo no que respeita às componentes
teóricas, ainda assenta num modelo predominantemente expositivo, com
comunicação unidirecional e participação passiva dos estudantes. "A
reorganização do horário semanal é possível, se adotarmos diferentes
práticas e métodos pedagógicos", defende.“Para
compensar a redução da carga horária, a adesão ao projeto-piloto deve
contemplar a tecnologia como um elemento facilitador na missão de
ensinar. O tempo de contacto docente-discente deverá tornar-se mais
dinâmico, estimulando e motivando os estudantes com a introdução de
ferramentas digitais que vão de encontro às capacidades e interesses dos
nativos digitais”, acrescenta.A
libertação de um dia útil vai permitir aumentar o tempo disponível para
atividades de desenvolvimento transversal, de caráter formal ou
informal, e para a participação em atividades desportivas, culturais,
associativas ou de voluntariado, seja na Instituição de Ensino Superior,
seja na cidade de estudo.“A valorização
formal da aprendizagem não formal é essencial para que mais estudantes
compreendam a importância de desenvolverem outras competências fora da
componente letiva e a dedicação que esta exige. O desenvolvimento
pessoal e interpessoal dos estudantes é fundamental para a inserção na
vida ativa”, refere, lembrando que durante a pandemia, foram adotados
formatos positivamente valorizados pelos estudantes”, retrata a
presidente da organização estudantil.Segundo a FAP, Portugal está entre os países europeus que detêm valores mais elevados de carga horária. “São
21 horas de aulas semanais, contrastando com as médias de 16 a 18 horas
da França, Bélgica e Países Baixos, as 14 a 15 horas do Reino Unido e
Irlanda e as 10 horas da Suécia”, assinala a FAP, acrescentando que
Portugal está entre os países europeus com maior prevalência de
perturbações do foro psicológico ou psiquiátrico e a população
estudantil não é exceção, com situações de ‘burnout’ (exaustão) cada vez
mais frequentes entre os estudantes do Ensino Superior.