Universitários apelam a Costa para manter Ciência e Ensino Superior num ministério próprio
9 de fev. de 2022, 11:05
— Lusa/AO Online
“Não
podemos ter um ministério titânico, a ocupar-se do Ensino Superior da
parte da manhã, e dos Ensinos Básico e Secundário da parte da tarde”,
lê-se na Carta Aberta a que a Lusa teve acesso e que foi endereçada
ao primeiro-ministro, António Costa, pelas várias associações e
federações académicas do ensino superior em Portugal Na
carta, enviada a António Costa, com o conhecimento do Presidente da
República Portuguesa, partidos políticos com representação parlamentar,
Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e Conselho
Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, apela-se a que o
Ensino Superior e Ciência se mantenham enquanto área ministerial na
organização e funcionamento do XXIII Governo Constitucional, cuja posse
está marcada para o próximo dia 23 de fevereiro.
“Por sermos um país plenamente comprometido, a nível nacional e
europeu, com o reforço do Ensino Superior e da Ciência, ambos essenciais
no apoio à transição ecológica e digital, mas também à promoção da
equidade e inclusão sociais, apelamos a V. Ex.ª que o decreto-lei que
vier a aprovar o regime de organização e funcionamento do XXIII Governo
Constitucional mantenha a Ciência, Tecnologia e Ensino Superior como
área ministerial, ao invés de promover uma tutela única que agregue
Educação, Ensino Superior e Ciência”, refere a missiva. Uma
“hipotética subalternização” do Ensino Superior e da Ciência não será
condizente com as apostas políticas assumidas para a transição digital,
inovação e qualificações, que são encaradas como fatores de
desenvolvimento, numa sociedade designada do conhecimento e marcada pela
necessidade de inovação empresarial, qualificação dos recursos humanos e
das instituições e organizações, alertam os estudantes do ensino
superior.Para os estudantes, uma
reorganização orgânica que venha a dividir o Ensino Superior e a Ciência
em duas Secretarias de Estado distintas, sob um ministério com
competências e áreas tão diversas como o da Educação, vai “prejudicar” a
articulação e coordenação entre essas duas áreas que se pretendem
conexas. Os universitários recordam que
experiências anteriores demonstram que um Ministro da Educação, pela
natureza do cargo e funções, “não detém disponibilidade suficiente para
se dedicar aos temas do Ensino Superior e Ciência”.Os
estudantes pedem também uma audiência com o primeiro-ministro para que
possam ter oportunidade de “retratar a realidade dos alunos do Ensino
Superior e o seu papel na reconstrução do País pós-pandemia”.“A
resposta à pandemia, ao longo dos últimos dois anos, tem contribuído
para a valorização da ciência, em diversas áreas do conhecimento. Em
paralelo, assistimos a uma aceleração da transição digital. Ambos os
fenómenos têm efeitos na economia e, naturalmente, na forma como se
organiza e desenvolve a sociedade”, refere o documento enviado a
António CostaA carta é subscrita pela
Associação Académica de Lisboa (AAL), pelas associações académicas das
universidades dos Açores, do Algarve, de Aveiro, da Beira Interior, de
Évora, da Madeira, do Minho de Trás-os-Montes e Alto Douro, bem como as
federações académicas de Lisboa e do Porto e pela Federação Nacional de
Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico.