Universidades apostam em sistemas de alerta para prevenir insucesso e abandono
7 de out. de 2024, 10:28
— Lusa/AO Online
No ano
passado, as instituições de ensino superior receberam mais de 10 milhões
de euros de financiamento no âmbito do Programa de Promoção de Sucesso e
Redução de Abandono no Ensino Superior.Destinado
sobretudo aos alunos inscritos pela primeira vez no ensino superior, o
objetivo é que as universidades e politécnicos adotem práticas
inovadoras de ensino, aprendizagem e avaliação, e programas de tutoria e
mentoria, caminhos que algumas já seguiam e conseguiram agora alargar
com este apoio. “Quase todas as atividades
já estavam em curso em alguma das escolas. Agora, estamos a tentar
generalizar as boas práticas, queremos dar-lhes um corpo mais estável
para que possam perdurar o tempo”, disse à Lusa Luís Castro, vice-reitor
da Universidade de Lisboa (UL).Os
programas de mentorado e tutorado, prática no Instituto Superior Técnico
(IST) da UL há cerca de duas décadas, são disso exemplo. “Outras
escolas têm-nos há menos tempo e agora estamos a alargar a todas”,
explicou o responsável.Essa tem sido uma
das apostas em todas as universidades e institutos politécnicos públicos
para promover o sucesso académico, mas algumas querem ir mais longe e
desenvolveram sistemas de alerta para direcionar as medidas para os
alunos em maior risco.A experiência foi
testada pelo ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa no ano passado
através da plataforma Fénix, que contém informação sobre a avaliação
contínua dos estudantes a todas as disciplinas.A
ideia é olhar para o desempenho académico dos alunos e identificar
aqueles com maiores dificuldades para “perceber o que está a falhar” e
conseguir disponibilizar um acompanhamento mais personalizado, explicou à
Lusa a coordenadora do projeto IN-Iscte, dedicado à redução do
abandono, Rosário Mauritti.A UL já está a
utilizar um sistema semelhante em todas as escolas e a partir do próximo
mês será implementado um outro sistema de acompanhamento, para perceber
o impacto das medidas no desempenho académico dos alunos identificados.Segundo
o vice-reitor da UL, uma investigadora do IST está, entretanto, a
desenvolver um outro sistema de análise de dados para, com base nos
registos académicos, identificar perfis de risco, permitindo “sinalizar
esses estudantes à partida e poder ter um acompanhamento adicional”.Outras
instituições não têm ainda esse tipo de ferramenta, mas reconhecem a
necessidade de atuar de forma preventiva, antes que os estudantes
manifestem intenção de abandonar o ensino superior e, nesse caso, os
docentes assumem um papel essencial.Na
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, os alunos são sempre
contactados quando requerem a anulação da matricula, para conhecer os
motivos e perceber se existe possibilidade de, com as medidas
disponibilizadas pela instituição, reverter a decisão.“Mas
o grau de sucesso não é muito elevado”, reconhece o pró-reitor para a
Inovação Pedagógica, José Cravino, que coordena o Observatório
Permanente do Abandono e Promoção do Sucesso Escolar, justificando que,
na maioria dos casos, “quando os alunos chegam a essa fase, já têm a
decisão tomada”.A prevenção é uma
prioridade da Universidade do Porto, que quer promover o diagnóstico de
competências à entrada do ensino superior para identificar potenciais
lacunas em determinadas áreas e, assim, atuar precocemente, explicou o
coordenador do Observatório do Sucesso Académico, Jorge Ascenção
Oliveira, adiantando que a universidade está também a desenvolver
algoritmos de previsão do abandono, que permitam a probabilidade de
determinado estudante desistir, com base no seu perfil.Com
uma atenção particular para os novos alunos, as respostas podem passar
também por facilitar a chegada ao ensino superior e foi precisamente com
esse objetivo que o ISCTE inaugurou, no inicio do ano letivo, um novo
espaço que centraliza todos os serviços académicos.“Os
serviços tinham, muitas vezes, horários desencontrados e estavam
localizados em edifícios dispersos. Não havia propriamente um espaço de
acolhimento. A ideia é ter um espaço que reúne todas as respostas de
forma integrada num único lugar”, explicou Rosário Mauritti.Além
dos estudantes, muitas das medidas para promover o sucesso e reduzir o
abandono passam pelos próprios professores e, nesse âmbito, a maioria
das instituições está a reforçar a formação docente e a promover
colaboração e partilha de experiências.