Universidade dos Açores recorda “figura maior” da justiça, educação e cidadania
Óbito/Laborinho Lúcio
23 de out. de 2025, 15:02
— Lusa/AO Online
Em
comunicado divulgado nas redes sociais, a UAc manifesta “o seu profundo
pesar pelo falecimento de Álvaro José Brilhante Laborinho Lúcio”, que
em 2024 recebeu o título de Doutor Honoris Causa.“Figura
maior da justiça, da educação e da cidadania, Laborinho Lúcio
destacou-se pela ética, pelo humor refinado e pela forma generosa como
compreendia o outro, dentro e fora das salas de aula”, referiu.Segundo
a nota, na Universidade dos Açores, “onde recebeu o título de Doutor
Honoris Causa em 2024, cultivou uma relação especial com a comunidade
académica, sempre próximo dos estudantes, atento aos docentes e
profundamente sensível ao trabalho de todos os que fazem a UAc”.“Deixou
uma marca profunda de sabedoria, humanidade e inspiração, que
permanecerá viva na memória da nossa academia”, acrescentou.A
UAc recorda Laborinho Lúcio com “admiração, afeto e gratidão”,
apresentando à família, aos amigos e a toda a comunidade académica as
“mais sentidas condolências”.Álvaro
Laborinho Lúcio foi secretário de Estado da Administração Judiciária e
ministro da Justiça em 1990, durante o Governo de Cavaco Silva, e
ministro da República para os Açores, durante a presidência de Jorge
Sampaio.Foi também Procurador da República
junto do Tribunal da Relação de Coimbra, inspetor do Ministério
Público, Procurador-Geral-Adjunto da República, diretor da Escola da
Polícia Judiciária e do Centro de Estudos Judiciários.Na Nazaré, foi presidente da Assembleia Municipal.Mais recentemente, integrou a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa.Laborinho
Lúcio nasceu na Nazaré em 01 de dezembro de 1941. Na juventude, foi
ator amador, tendo participado na criação do Grupo de Teatro da Nazaré.Ingressou
na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se licenciou
em Direito e obteve o Curso Complementar de Ciências Jurídicas.Foi
ainda membro, entre outras, de associações como a APAV - Associação
Portuguesa de Apoio à Vítima e a CRESCER-SER, de que é sócio fundador.Entre
2013 e 2017, foi presidente do Conselho Geral da Universidade do Minho e
membro eleito da Academia Internacional da Cultura Portuguesa.Laborinho
Lúcio estreou-se na escrita de ficção narrativa em 2014, com “O
Chamador”, na Quetzal, editora pela qual lançou mais quatro títulos até
ao ano passado: “O Homem que Escrevia Azulejos”, “O Beco da Liberdade”,
“As Sombras de uma Azinheira” e o livro de crónicas e outros textos “A
Vida na Selva”.Já este ano, em março,
editou, pela Zigurate, com Odete Severino Soares e ilustrações de
Catarina Sobral, o livro “Marília ou a Justiça das Crianças”.Foi condecorado em 2005 pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo.