Universidade do Porto validou 19 queixas, cinco das quais de assédio moral e sexual
18 de abr. de 2023, 12:10
— Lusa/AO Online
“Estas cinco
queixas de assédio moral e/ou sexual, devidamente validadas pela
comissão independente de receção e análise de denúncias, motivaram a
abertura de outros tantos processos de inquéritos que se encontram ainda
a decorrer”, respondeu a U.Porto a perguntas escritas colocadas pela
Lusa. Sem adiantar pormenores sobre os
autores ou natureza das queixas, a universidade referiu que os cinco
processos são heterogéneos e não se referem apenas a assédio sexual ou a
queixas de estudantes sobre professores, recordando que o canal de
denúncias está aberto a toda a comunidade académica.“O
artigo 200 da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas (Lei n.º
35/2014) determina a “natureza secreta” destes processos, sob pena de
procedimento disciplinar, pelo que não pode a Universidade do Porto
pronunciar-se publicamente sobre os mesmos”, sublinhou. Na
informação enviada à Lusa, a U.Porto explicou ter lançado em junho de
2022 o seu portal ‘online’ de denúncias (www.up.pt/denuncias)
especificamente dedicado à comunicação de situações consideradas ilegais
praticadas no seio da instituição e dividido em duas grandes áreas:
assédio moral e/ou sexual e fraude e/ou reclamações administrativas.A
denúncia é realizada num formulário ‘online’ garantindo o total
anonimato de vítimas e/ou denunciantes (caso assim o pretendam),
eliminando a necessidade de qualquer tipo de contacto interpessoal no
ato da denúncia, que pode ser realizada a qualquer hora e dia da semana,
especificou. “O formulário foi
desenvolvido num ‘software’ livre dedicado especificamente à proteção e
segurança dos denunciantes com o sugestivo nome de ‘GlobalLeaks’”,
referiu a U.Porto. No que toca
especificamente à questão do assédio, a Universidade do Porto decidiu
criar uma comissão independente específica para a receção e análise das
denúncias constituída paritariamente por diferentes membros da
comunidade académica, nomeadamente dois docentes, dois técnicos não
docentes e dois estudantes. Esta comissão
tem por missão a implementação da estratégia institucional de prevenção
do assédio e a receção e análise independente das denúncias recebidas no
portal, acrescentou. A propósito deste
tema, na segunda-feira, em Coimbra, o secretário de Estado do Ensino
Superior defendeu que todas as instituições de ensino superior devem ter
mecanismos de prevenção de casos de assédio, bem como canais de
denúncia e atuação do ponto de vista sancionatório.“Não
queremos que existam casos de assédio e para isso é preciso, sobretudo,
que as instituições tenham mecanismos de prevenção, que passam por
códigos de conduta, códigos de ética, ações de sensibilização dos
docentes, funcionários, investigadores e estudantes, relativamente
àquilo que são comportamentos aceitáveis ou não”, afirmou Pedro Nuno
Teixeira.