Universidade do Porto atribui às faculdades decisão sobre avaliação do 2.º semestre
Covid-19
20 de abr. de 2020, 12:17
— Lusa/AO Online
“Dada a heterogeneidade da nossa
Universidade e a multidisciplinaridade que se verificam, inclusive
dentro de cada faculdade, competirá aos órgãos de cada unidade orgânica a
decisão sobre quais as atividades que devem continuar a decorrer a
distância e quais aquelas que devem decorrer de forma presencial”,
afirma António de Sousa Pereira, numa mensagem dirigida à comunidade
académica.No documento, o reitor da UPorto
adianta que, do mesmo modo, serão também os órgãos de cada faculdade a
“determinar os mecanismos de avaliação a adotar para cada unidade
curricular”.Numa carta aberta, dirigida ao
reitor da Universidade do Porto, a que a Lusa teve hoje acesso, 747
estudantes apelaram para que a Universidade tomasse uma decisão sobre as
modalidades de avaliação.“Pedimos que a
Universidade do Porto aja, que informe os seus estudantes, ou que
permita autonomia às suas unidades orgânicas para uma tomada de
decisão”, defendem os estudantes na carta aberta.Em
resposta à Lusa, a Universidade do Porto garantiu que "decidiu orientar
a sua atuação pelas recomendações diretas da tutela e, mais importante
ainda, das autoridades de saúde nacionais e internacionais". "Assim,
dado que se antevê a não renovação do Estado de Emergência, e tendo em
conta as recomendações do Ministério para o retomar gradual das
atividades para 04 de maio, foi possível agora avançar para orientações
claras sobre como devem os docentes e as diferentes faculdades
determinar as modalidades de avaliação a adotar neste semestre, tendo
sempre em consideração as condições de excecionalidade em que as aulas
decorreram neste período", esclareceu o responsável pelo gabinete de
comunicação da Universidade do Porto, Raul Santos.A
decisão de salvaguardar autonomia a cada faculdade teve por base a
reunião do Conselho Coordenador da Melhoria do Ensino-Aprendizagem da U.
Porto, realizada a 17 de abril, onde foram “consensualizadas algumas
recomendações” que cada unidade orgânica deve ter, adianta o documento,
que tem como signatário o reitor da U. Porto.Entre
as recomendações, o documento refere que cada faculdade deve aconselhar
os docentes a identificarem até aos primeiros dia de maio, quais as
unidades curriculares que poderão optar pela avaliação distribuída sem
exame e aquelas que terão exame final.Paralelamente,
recomenda que as faculdades definam quais os exames que terão de ser
realizados presencialmente ou à distância e que assegurem que a
realização de exames ‘online’ evita eventuais possibilidades de fraude. Recomenda
também “não prolongar o calendário letivo para além dos primeiros dias
de junho, devendo as avaliações regulares estar concluídas até 31 de
julho, sempre que possível”.Quanto aos
estudantes internacionais que não se encontram em Portugal, e que
necessitam de realizar avaliação presencial, a UPorto recomenda que a
mesma ocorra nos inícios de setembro. Quanto aos estudantes
internacionais de mobilidade, a UPorto considera que estes podem
realizar as avaliações à distância.Outra
das recomendações da instituição é que a época de conclusão de ciclo de
estudos se mantenha em setembro, ainda que “seja razoável que as
dissertações de mestrado possam ser, em situações devidamente
fundamentadas, entregues até ao final de outubro ou primeira semana de
novembro, desde que se possa garantir a defesa pública até dezembro”.Relativamente
às faculdades em que a componente clínica é “determinante e não pode
ser garantida”, tais como nos cursos de medicina e medicina dentária, a
instituiçao considera que os órgãos de gestão devem “adequar as
modalidades e períodos de avaliação à especificidade das respetivas
áreas”.A UPorto recomenda ainda que o
calendário escolar do próximo semestre seja mantido, exceto “nas
faculdades ou ciclos de estudo em que seja imprescindível utilizar
semanas da segunda metade de setembro para processos de formação clínica
e consequente avaliação”. “Certos de que
a preocupação sobre o formato de avaliação é legítima e justa, foi
ainda recomendado que seja comunicado até ao final desta semana, pelas
faculdades, a forma como será realizada a avaliação de cada unidade
curricular”, defende António de Sousa Pereira.O
reitor considera ainda que devem ser criadas “condições” para que
docentes e estudantes conheçam “previamente as condições de segurança e
higiene que lhes deem a tranquilidade possivel para a realização das
provas”.“Esperamos, com esta metodologia
dar oportunidade de toda a Universidade se envolver nas decisões
tomadas, de forma a minorarmos os problemas que esta situação excecional
a todos nos tem colocado”, conclui o reitor.