Universidade de Coimbra com projeto para a autorreparação de materiais metálicos
23 de jan. de 2023, 11:51
— Lusa/AO Online
Em
nota de imprensa enviada à agência Lusa, a Universidade de Coimbra
especificou que o projeto foi desenvolvido ao longo dos últimos quatro
anos por uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia
Mecânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia.Com
a denominação “CrackFree - Para materiais metálicos autorreparáveis”,
este trabalho, liderado por Ana Sofia Ramos, investigadora do Centro de
Engenharia Mecânica, Materiais e Processos (CEMMPRE), centrou-se na
elaboração de um sistema de autorreparação em materiais metálicos, de
modo a diminuir os danos ocorridos por fadiga nesses materiais e a
evitar o colapso de sistemas.Citada na
informação, Ana Sofia Ramos lembrou que “a autorreparação em metais é
complexa, tornando a sua investigação um desafio”, e que, “por isso, foi
explorada uma nova abordagem para detetar (micro)fissuras em materiais
metálicos”.Segundo acrescentou, “este
sistema é composto por um material matriz, nomeadamente liga aeronáutica
de alumínio ou aço inoxidável austenítico, um sensor e um atuador”.“Neste
projeto, por forma a incorporar sensores e atuadores, a matriz metálica
é produzida pelo processo aditivo de extrusão de material (MEX, na
sigla inglesa), um processo desenvolvido desde a otimização de
‘feedstocks’ e produção de filamentos até à peça final. O sensor tem
como elemento principal ligas com memória de forma, capazes de detetar a
presença de fissuras. Por sua vez, o atuador tem como destaque
multicamadas reativas (MRs) depositadas por pulverização catódica
(‘sputtering’), que são capazes de reagir de forma autopropagável
libertando calor, de modo a fundir um material reparador com vista a
impedir a propagação de fissuras e promovendo, assim, a ‘cicatrização’
dos componentes mecânicos”, explicou.De
acordo com a informação, a liga aeronáutica de alumínio e o aço
inoxidável austenítico foram usados para produzir provetes do material
matriz utilizando a técnica MEX, de forma a permitir a introdução do
sensor sob a forma de fio.“O primeiro
desafio consistiu na deteção de fissuras utilizando fios de ligas com
memória de forma, nomeadamente fios de NiTi - Sensor. A transformação
martensítica do NiTi induzida por tensão e a diferente resistência
elétrica da austenite, (fase mãe), e da martensite, são o cerne do
sensor de fissuras”, descreveu ainda a equipa do projeto.Paralelamente,
outro dos objetivos do projeto “CrackFree” consistiu “na deposição de
nanocamadas alternadas de metais que reagem exotermicamente entre si
(MRs), sobre a superfície de fios de tungsténio – Atuador. Na etapa de
reparação, recorreu-se ao caráter exotérmico das MRs. Após a deteção, o
fecho da fissura é promovido pela fusão de um material reparador por
efeito do calor libertado. O material fundido ao fluir pode preencher a
fissura ou pelo menos impedir a sua propagação. Para avaliar a
estratégia de autorreparação proposta, foi estudada a propagação de
fissuras em materiais metálicos com sensores incorporados, tanto
numérica como experimentalmente”, referiu Ana Sofia Ramos.De
acordo com a equipa deste projeto, o uso deste sistema pode ser
aplicado, por exemplo, em satélites, uma vez que a manutenção é
extremamente difícil e realizada de forma remota, bem como em
amortecedores de carros, componentes que sofrem maior colapso ao longo
do tempo.“O nosso estudo é o começo de uma
longa caminhada com desafios reais a serem ultrapassados. Os mecanismos
e princípios básicos da autorreparação em metais ainda são
desconhecidos e os nossos resultados são claramente considerados uma
mais-valia”, concluiu a equipa do projeto, constituída por oito
investigadores do CEMMPRE.O projeto
“CrackFree” recebeu um financiamento na ordem dos 214 mil euros por
parte da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).CYC // SSS