Universidade de Aveiro cria biopolímeros a partir de algas para despoluir a água
12 de set. de 2019, 18:09
— Lusa/AO online
Segundo
a equipa de investigação, os biopolímeros extraídos de fontes naturais,
como é o caso das algas abundantes no litoral nacional, podem ser
“enormes aliados” na remoção de poluentes da água difíceis de eliminar
nas estações de tratamento, como antibióticos e outros fármacos,
herbicidas e ainda corantes orgânicos utilizados pela indústria.“O
segredo destes adsorventes está no seu pequeníssimo tamanho, inferior a
100 nanómetros, que possibilita uma elevada área de contacto com a
água, combinado com os polissacarídeos presentes na sua composição e que
são provenientes das algas”, descreve uma nota de imprensa da UA sobre o
trabalho científico. A equipa de
investigadores do Departamento de Química (DQ) da UA e do
CICECO-Instituto de Materiais de Aveiro, uma das unidades de
investigação da Academia de Aveiro, desenvolveu e patenteou
nanoadsorventes magnéticos que, para além dos polissacarídeos, são
constituídos ainda por um miolo de óxido de ferro (magnetite) que lhes
confere características magnéticas e por sílica, que tem o papel de
ligar entre si os ingredientes e de tornar os materiais insolúveis na
água. Entre os vários poluentes estudados,
está o ciprofloxacina, antibiótico utilizado no tratamento de várias
infeções, que pode ser encontrado nas águas residuais, devido à
inadequada eliminação de medicamentos não usados ou à metabolização
incompleta deste medicamento em humanos”.Os
nanoadsorventes sintetizados apresentam uma eficácia de remoção entre
30 a 90 por cento desse antibiótico, sendo possível remover até 1350
miligramas de ciprofloxacina usando 1 grama de adsorvente”, explicam os
investigadores. Os adsorventes podem ser
regenerados e reutilizados, o que representa uma vantagem económica
acrescida, e de acordo com fonte académica “algumas empresas já
mostraram interesse e estão a testar estes materiais na remoção de
diferentes contaminantes”.