Unidades móveis de atendimento da PSP são uma estrutura falhada
28 de jul. de 2022, 10:55
— Lusa/AO Online
“É uma estrutura que já não
é funcional, doente e claramente consome recursos e não aproveita
aquilo que é a capacidade de resposta da polícia e dos seus polícias”,
disse à agência Lusa o vice-presidente do sindicato que representa a
maioria dos comandantes e dos diretores da Polícia de Segurança Pública.Bruno
Pereira reagia ao anúncio feito esta semana pelo ministro da
Administração Interna da criação de unidades móveis de atendimento.A
direção nacional da PSP indicou hoje que vão ser apresentadas, na
quinta-feira às 18:00, simultaneamente em Lisboa e no Porto, as unidades
móveis de atendimento, que esta força de segurança classifica como
“novos meios de promoção da proximidade com o cidadão, facilitando o
contacto direto da população” com a polícia.“Esta
medida passa por rever e reformar uma estrutura falhada. Esta estrutura
que aos dias de hoje não acompanha aquilo que são as reais necessidades
de segurança e que consome recurso de uma forma desmesurada e
desnecessária”, precisou o vice-presidente do sindicato que representa
os oficiais da PSP, considerando que “não resolve o problema” da falta
de agentes na rua, mas vai “agudizar ainda mais a dificuldade de gestão e
projeção de recursos”.Bruno Pereira
observou que este modelo não é novo e já tinha sido utilizado como
experiência piloto que “a PSP abandonou por considerar que era uma opção
que não ia ao encontro das melhores opções de metodologia de
policiamento”.Esclareceu também que as
unidades móveis geralmente são utilizadas quando existem eventos com uma
grande concentração de pessoas e há necessidade de sinalizar uma
estrutura policial para prestar apoio às pessoas em caso de necessidade.“Deslocar
uma unidade móvel tendo por base a visibilidade é exatamente a mesma
coisa que ter uma esquadra, a única diferença é que a conseguimos
movimentar, mas não é a estrutura que projeta segurança, são os polícias
e as equipas que a integram”, disse.De
acordo com o sindicato, estas unidades móveis “vão obrigar a alocar mais
agentes”, sendo a única novidade a modalidade de atendimento, o que é
“redundante porque as esquadras já são mais do que suficientes”.Bruno
Pereira sustentou que aquilo que é necessário é “mais polícias para
assegurar o policiamento de forma preventiva e ter uma capacidade
ampliada de resposta repressiva”.