UNICEF acusa Israel de matar 600 crianças no Líbano
Médio Oriente
Hoje 12:16
— Lusa/AO Online
O
organismo da ONU disse ainda que 30 crianças morreram e 150 ficaram
feridas nos bombardeamentos israelitas da passada quarta-feira contra a
cidade de Beirute, capital do Líbano, os mais violentos desde o começo
do conflito. Segundo a UNICEF, a violência
no Líbano "continua a ter consequências devastadoras" para as crianças"
acrescentando que recebeu relatos de menores de idade resgatados dos
escombros após os últimos bombardeamentos israelitas, enquanto outros
permanecem desaparecidos ou separados das famílias."Muitas
(crianças) estão a sofrer traumas após perderem os familiares, as casas
e qualquer sensação de segurança", acrescentou a UNICEF.De acordo com a ONU, os ataques de Israel provocaram mais de um milhão de deslocados, incluindo 390 mil crianças."O Direito
Internacional Humanitário é claro: a população civil, incluindo as
crianças, deve ser protegida em todos os momentos", recordou a UNICEF
num documento divulgado hoje.O mesmo
relatório indicou ainda que todas as partes envolvidas no conflito devem
tomar todas as precauções para proteger a população civil e as
infraestruturas civis, e garantir um acesso humanitário seguro,
sustentado e sem entraves.Neste sentido, a UNICEF apelou à suspensão do uso de "armas explosivas de amplo alcance em áreas densamente povoadas".A
UNICEF referiu também que tem equipas a trabalhar em Beirute, atendendo
ao elevado número de crianças feridas pelos ataques, e sublinhou que
está a alargar a resposta de emergência à medida que as necessidades
aumentam.Por outro lado, a organização não
governamental Save the Children lamentou que o Líbano esteja a viver
uma crise cada vez mais profunda após a onda de bombardeamentos
israelitas, com "muitas crianças separadas das famílias". A
diretora da Save the Children no país, Yara Hamadeh, disse que existe
um enorme sentimento de incerteza, medo e angústia no Líbano.Hamadeh
declarou que as equipas da Save the Children estão "a trabalhar dia e
noite" para reunir as crianças com as famílias, embora tenha reconhecido
que "muitas pessoas perderam a vida nos bombardeamentos ou
posteriormente nos hospitais".Segundo as
autoridades libanesas 1.900 pessoas foram mortas e mais de seis mil
ficaram feridas na ofensiva israelita, incluindo mais de 300 mortos e
1.100 feridos nos ataques da passada quarta-feira.Os
últimos bombardeamentos de Israel ocorreram poucas horas depois de o
Paquistão, enquanto mediador, ter anunciado um acordo de cessar-fogo
entre os Estados Unidos e o Irão que deveria abranger, segundo
Islamabade, toda a região do Médio Oriente.