União Europeia adota 17.º pacote de sanções à Rússia
Ucrânia
20 de mai. de 2025, 17:45
— Lusa/AO Online
"A UE aprovou
o seu 17.º pacote de sanções contra a Rússia, visando quase 200 navios
da sua frota paralela", anunciou nas redes sociais a responsável pela
política externa do bloco europeu, Kaja Kallas, à margem de uma reunião
de ministros da Defesa dos 27 em Bruxelas. A
chefe da diplomacia europeia indicou que "estão em preparação mais
sanções contra a Rússia”, alertando Moscovo que a continuação da guerra
na Ucrânia merecerá uma resposta “mais dura” de Bruxelas.O
novo pacote, que estava em discussão há várias semanas, tem como alvo
189 novos navios “fantasmas” utilizados pela Rússia e entidades acusadas
de ajudarem Moscovo a contornar as sanções já implementadas.No total, 342 navios estão agora na mira da União Europeia, de acordo com um comunicado do bloco comunitário.A
chamada “frota fantasma", composta por embarcações geralmente antigas e
não registadas, opera sobretudo no Mar Báltico e habitualmente de forma
clandestina com equipas inexperientes.O
número de embarcações disparou desde a invasão russa da Ucrânia, em 24
de fevereiro de 2022, depois de as sanções da UE e do Ocidente terem
visado as exportações de petróleo e derivados russos, num esforço para
“secar” as receitas de Moscovo.Em
comunicado, o Conselho Europeu esclareceu que o pacote hoje divulgado
inclui medidas económicas e individuais que "cortam o acesso da Rússia à
tecnologia militar essencial e restringem as receitas energéticas
russas que alimentam a sua guerra de agressão contra a Ucrânia".Nesse
sentido, a UE impôs sanções individuais (congelamento de ambiente e
proibições de disponibilidade de fundos) visando o ambiente empresarial
que permite a operação da "frota fantasma", como companhias de navegação
dos Emirados Árabes Unidos, Turquia e Hong Kong, além de uma importante
seguradora.Da mesma forma, a UE impôs
medidas contra a Surgutneftegaz, uma grande empresa petrolífera russa
que proporciona receitas significativas ao Kremlin (presidência russa),
alimentando diretamente o seu esforço de guerra. Desde
que a UE introduziu o teto para o preço do petróleo russo e sanções à
"frota fantasma", as receitas russas relacionadas caíram 38 mil milhões
de euros, de acordo com o Conselho, que estima que em março ficaram
13,7% abaixo do mesmo mês em 2023 e 20,3% de março de 2022.A
UE sancionou também hoje mais de 45 empresas e indivíduos russos que
fornecem drones, armas, munições, equipamento militar, componentes
essenciais e apoio logístico ao Exército.Alargou
também o seu foco aos facilitadores industriais, como entidades russas e
chinesas que fornecem máquinas e ferramentas aos setores militar e
industrial russos.Três outras entidades
chinesas — incluindo empresas estatais — foram colocadas na “lista
negra”, bem como uma empresa bielorrussa e outra israelita que fornecem
componentes essenciais para os militares russos, incluindo para a
produção de drones.O Conselho acrescentou
ainda 31 novas entidades relacionadas com o comércio de bens e
tecnologias de utilização dupla (civis e militares) que a Rússia pode
empregar na sua guerra contra a Ucrânia. Algumas
destas entidades estão localizadas em países terceiros (Sérvia,
Emirados Árabes Unidos, Turquia, Vietname e Uzbequistão) e envolvidas em
formas de iludir as sanções.As novas
sanções de hoje têm também como alvo a pilhagem do património cultural
na Crimeia anexada e a exploração ilegal da produção agrícola ucraniana.Além
disso, com a inclusão hoje de novos 17 indivíduos e 58 entidades na
lista de medidas restritivas relacionadas com ações que comprometem ou
ameaçam a integridade territorial, a soberania e a independência da
Ucrânia, o número sobe agora para mais de 2.400 nomes.A
UE também adotou hoje sanções contra a Rússia pela primeira vez em
resposta aos seus ataques híbridos, abrangendo 21 indivíduos e seis
entidades, que incluem o congelamento de bens e a proibição de entrada
no espaço europeu.O Conselho Europeu
referiu-se ao alargamento das suas medidas contra “ativos tangíveis
ligados às atividades desestabilizadoras da Rússia”, elencando os casos
de embarcações, aeronaves, imóveis e elementos físicos de redes digitais
e de comunicação.A lista inclui ainda
transações de instituições de crédito financeiras e entidades que
prestam serviços de criptoativos, que “facilitam direta ou indiretamente
as atividades desestabilizadoras da Rússia”.No
comunicado divulgado, o Conselho afirma também que terá agora a
possibilidade de suspender as licenças de transmissão de órgãos de
comunicação sob o controlo da liderança russa e proibi-los de transmitir
os seus conteúdos na UE.A lista de
lesados abrange políticos, empresários, alegados espiões e proprietários
de órgãos de comunicação social, que difundem na Europa propaganda do
Kremlin sobre o conflito na Ucrânia, bem como supostos serviços
noticiosos com o mesmo fim no continente africano, e ainda um serviço
‘web’ com vista “à manipulação de informações, interferências e ataques
cibernéticos” contra a UE e países terceiros.