UMAR celebra 50 anos com alerta para ameaças aos direitos das mulheres
Hoje 12:03
— Lusa
A
associação nasceu em 12 de setembro de 1976 e o aniversário vai ser
comemorado com várias iniciativas ao longo do ano, um pouco por todo o
país. Uma das iniciativas é uma carta assinada por cem mulheres, de
diversos setores sociais, políticos e profissionais, em reconhecimento
pelo trabalho feito pela UMAR.Nomes como
Anália Torres, professora da Universidade de Lisboa, Catarina Martins,
eurodeputada do Bloco de Esquerda, Elza Pais e Edite Estrela, deputadas
do Partido Socialista, Capicua, cantora, Helena Roseta, arquiteta, Irene
Pimentel, historiadora, Lídia Jorge, escritora, ou São José Lapa, atriz
e encenadora, fazem parte desta lista e subscrevem um texto de defesa
da associação.Nele, lembram como a UMAR,
ao longo de 50 anos, nunca deixou para trás os desafios que marcam a
vida das mulheres, desde a violência, à precariedade ou discriminações,
discursos de ódio e machismo, tanto no espaço físico como nas redes
sociais, e defendem que “a UMAR tem sido, e continuará a ser, uma voz
essencial nessa luta coletiva”.Em
declarações à agência Lusa, a vice-presidente da UMAR admitiu que há uma
sensação de direitos conquistados que podem estar em risco, perante
“uma situação a nível nacional e até a nível internacional que de certo
modo ameaça muitas das conquistas das mulheres”.Maria
Idalina Rodrigues deu como exemplo a desigualdade salarial, e lembrou o
pacote laboral que está em discussão, ou “o problema da habitação, que
se faz sentir muito pelas mulheres e que foi sempre uma questão em que a
UMAR se empenhou”.Destacou também as
desigualdades na saúde, desde os direitos de assistência da grávida ou
as falhas que ainda existem nas consultas de planeamento familiar, na
prevenção de doenças sexualmente transmitidas ou nos rastreios de
doenças oncológicas, salientando que há três cancros – da mama, do útero
e do endométrio – que são responsáveis por “cerca de 25% de mortalidade
e morbilidade da mulher”.Outra questão
que preocupa a UMAR, disse Idalina Rodrigues, é a interrupção voluntária
da gravidez (IVG), apontando que há 544 médicos e 299 enfermeiros que
alegam objeção de consciência para não fazer o ato médico, segundo dados
da Amnistia Internacional.Para a
vice-presidente da UMAR, esta mantém-se “uma grande preocupação” para a
associação, que defende o direito de escolha da mulher e o direito de
ser ela a decidir se quer ou não interromper a gravidez.Face
às ideologias emergentes que “tentam fazer recuo em muitas destas
conquistas”, Idalina Rodrigues acredita que só há uma resposta possível:
“uma rede unitária de todas as mulheres, que englobe as várias
organizações que existem em Portugal, que englobe todas aquelas que
acham que estes direitos são muito importantes numa sociedade
democrática”.Sobre ter o atual Governo
como um aliado nessa luta, a responsável respondeu que acredita que há
pessoas dentro do Executivo que apoiam muitos dos direitos defendidos
pela UMAR e disse que o trabalho entre as duas partes tem corrido com
cordialidade.Questionada sobre o apoio e
financiamento a projetos, Idalina Rodrigues adiantou que há alguns em
relação aos quais há “um grande ponto de interrogação”, e deu como
exemplo o Centro de Cultura e Intervenção Feminista (CCIF), que inclui
uma biblioteca, e onde há ações de formação e educação, em relação ao
qual continuam “um bocadinho na expectativa”.A
vice-presidente da UMAR admitiu que possa existir algumas restrições na
atividade da associação, mas lembrou que “já houve períodos mais
difíceis”, com “mais constrangimentos em termos de financiamento”.“Mas
há sempre muita resiliência da nossa parte e conseguimos manter em pé e
conseguimos avançar. Esperemos que este seja o nosso percurso”,
afirmou.Sobre o dia 8 de março, em que se
assinala o Dia Internacional da Mulher e decorrem várias iniciativas,
Idalina Rodrigues disse esperar que a manifestação em Lisboa “seja um
movimento bastante grande” de pessoas em luta pelos direitos das
mulheres.