Uma quinta onde o solo, o animal e o humano são vistos como um só (com vídeo)
Hoje 10:22
— Daniela Carreiro
Situada na Achadinha, concelho do Nordeste, a Âmago Wellness Farm aborda a agricultura e os seus animais de forma holística, conciliando o trabalho manual inerente a uma lavoura a práticas sustentáveis.Os proprietários, Gena Pinheiro, nascida na California, Estados Unidos da América, e João Mendonça, natural do Nordeste, conheceram-se há “25 anos quando estava de visita à Terceira e o João estava lá na tropa”, explica Gena em entrevista ao Açoriano Oriental. “Muita coisa aconteceu, mas acabamos por viver 12 anos nos Estados Unidos”.Contudo, admite que sentiam que faltava algo: “Estávamos desconectados de um objetivo de vida mais profundo”. Com este desejo de se terem um propósito de vida mais significativo, aliado aos estudos de Gena em Desenvolvimento Sustentável e a vontade de João continuar o seu legado de família, nasceu a Âmago Wellness Farm.“A minha paixão para a sustentabilidade combina muito bem com o nosso objetivo aqui”, expressa Gena Pinheiro, entusiasticamente.Explica que começaram por estudar e analisar como poderiam passar de uma lavoura dita tradicional para uma que fosse sustentável, e todos os anos questionam-se qual o próximo passo em termos sustentáveis para a sua exploração. Gena Pinheiro partilha que, enquanto quinta regenerativa, uma das suas preocupações é manter o solo vivo, de modo a que continue a prosperar ao longo do tempo.“Queremos fazer análises ao solo e perceber que minerais precisa, para depois adicioná-los”. Esclarece que “queremos que o solo fique mais ativo e com micro-organismos, pois estes precisam de alimentação. Portanto o que é que podemos fazer para ajudar que isso melhore? Uma grande parte é a maneira que gerimos o pasto”, confessa a californiana.Tendo em conta o ciclo da planta, na Âmago Wellness Farm um pasto é dividido em diferentes parcela: a secção que hoje alimenta as vacas não é a mesma em que os animais vão comer no dia seguinte, permitindo que o solo descanse.“Isso deixa que a planta tenha o seu ciclo completo antes de a vaca a comer outra vez. Ou seja, é uma planta que está rica em nutrientes porque teve tempo para crescer, como deve ser”.Esta maneira de gerir os pastos alia-se às práticas holísticas praticadas na quinta, onde o animal, o solo e o humano são vistos como um só.“Um solo saudável resulta num animal saudável; o que, consequentemente leva a um humano saudável”, frisa Gena Pinheiro.Porém, não romantiza a vida na quinta admitindo que “este ano, financeiramente, está muito complicado, porque como muitas pessoas já sabem, a lavoura está a enfrentar uns desafios enormes”, por entre eles destaca, não só o preço do leite, como também os roubos.“Recentemente, fomos assaltados e levaram imenso material, nomeadamente investimentos que fizemos quando ainda estávamos nos Estados Unidos da América”.Da necessidade de fazer novos investimentos, surgiu a ideia de realizar a “Artesanal Food Fair”, como forma de angariar fundos.No próximo domingo, no recinto da quinta na Achadinha, vão haver três workshops, onde, mediante inscrição, os participantes vão poder fazer queijo fresco, uma coroa de flores ou meditação no pasto, rodeados pelas vacas.Na programação do evento consta, também, o Festival de Sopas e uma zona onde vários comerciantes locais vão expor os seus produtos. Para além das atividades mencionadas, vai haver um leilão silencioso, várias atividades direcionadas aos mais jovens e música ao vivo.De modo a marcar o fim da “Artesanal Food Fair”, o público vai ter à sua disposição uma fogueira onde vão poder fazer o tradicional petisco americano, S’mores.A entrada no evento é garantido por doação, no entanto o valor fica ao critério de cada um (sendo o valor sugerido 2 euros).