Uma embalagem de genérico é 58% inferior ao preço médio do original
24 de mai. de 2023, 09:49
— Lusa/AO Online
O estudo “Valor estratégico
da indústria de medicamentos genéricos e biossimilares em Portugal”,
hoje divulgado, teve como objetivo mapear o impacto desta indústria na
saúde, na economia e na coesão social, tendo concluído que este setor é
essencial, mas não é potenciado.Promovido
pela Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos e Biossimilares
(APOGEN), que assinala o seu 20.º aniversário, o estudo, elaborado pela
consultora Deloitte, refere que, na área da saúde, “os medicamentos
genéricos e biossimilares aumentam o acesso e contribuem para a redução
da despesa, libertando recursos que podem ser realocados para o
financiamento da inovação terapêutica, assim como na contratação de mais
profissionais, gerando ganhos em saúde que se traduzem no aumento da
longevidade e da qualidade de vida”. Atualmente,
a adesão aos medicamentos genéricos e biossimilares, embora de forma
lenta, têm vindo a crescer, havendo tendência para uma maior presença no
mercado hospitalar”, refere o estudo, acrescentando que, em 2022, os
genéricos obtiveram uma quota de mercado em volume de 49%, 25% de
‘market value’, sendo que as vendas no mercado atingiram os 811 milhões
de euros.No ano passado, em média, o preço
de uma embalagem de um genérico, no mercado ambulatório, foi 58%
inferior ao preço médio de um medicamento originador, “apesar do aumento
significativo da inflação, custos das matérias-primas e custos de
contexto que foram totalmente absorvidos pelo setor”, salienta.Aponta
como exemplo do acesso proporcionado por estas tecnologias de saúde a
introdução, em 2010, do genérico da Atorvastatina (para combater o
colesterol) que permitiu aumentar a acessibilidade em 750%, e a
introdução do medicamento biossimilar (terapêutica biológica) de
Infliximab (para tratamento de doenças como artrite reumatoide, doença
de Crohn, espondilite anquilosante, artrite psoriásica e psoríase)
permitiu em sete anos aumentar a acessibilidade em 154%.Em 20 anos, os genéricos geraram uma poupança superior a 7.000 milhões de euros para o Estado e para as famílias.Os
biossimilares aumentaram, em média, a acessibilidade em 46%, três anos
após a sua introdução no mercado, ou seja mais 46% de doentes tiveram
acesso à terapêutica biológica, refere o estudo, salientando que a
sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde depende da
sustentabilidade deste setor.O estudo
realça que as quotas de mercado destes dois segmentos apresentam
disparidades substanciais dos níveis de adesão no contexto hospitalar,
ambulatório e por área terapêutica.“No
caso dos medicamentos genéricos, que contabilizam mais de 2.600 fármacos
no mercado, a evolução da quota de mercado é lenta, está estagnada há
mais de cinco anos e continua abaixo da média dos países da OCDE
[Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico]”, elucida.Já
os medicamentos biossimilares, que contabilizam mais de 40 produtos
comercializados, apresentavam, em 2022, taxas de utilização entre os 14%
e os 100% nos diferentes hospitais do SNS.Sobre
os impactos do setor na economia, o estudo refere que esta indústria
tem capacidade instalada para garantir o fornecimento de medicamentos
essenciais em Portugal e promove o equilíbrio da balança comercial.Em
termos de exportações, o volume representado pelos associados da APOGEN
é de 625 milhões de euros, sendo que, por cada 100 milhões de euros de
produto produzido e exportado, o setor aporta 51,7 milhões de euros de
Valor Acrescentado Bruto à economia nacional. Segundo
o estudo, estes medicamentos têm um impacto que se reflete no Produto
Interno Bruto (PIB) nacional, traduzido nos cerca de 535 milhões de
euros de valor acrescentado bruto e que correspondem a 1,6% do
contributo da totalidade da indústria transformadora em Portugal. O
volume de negócios impactados, cujo valor é cerca de 2.500 milhões de
euros, é significativo e tem uma elevada representatividade a nível
nacional, sendo também gerador direto e indireto de mais de 16.000
empregos. O estudo teve como base
metodológica a análise de dados qualitativos e quantitativos, através de
um questionário realizado junto das empresas associadas da APOGEN,
entrevistas aos ‘stakeholders’ da saúde, ‘benchmarking’ com 10 países
europeus e dados do mercado nacional.