Uma em cada quatro raparigas alvo de violência por parte do parceiro
30 de jul. de 2024, 10:52
— Lusa/AO Online
“Entre
as adolescentes que estiveram numa relação, quase um quarto (24%) –
perto de 19 milhões – terá sofrido violência física e/ou sexual por
parte do parceiro íntimo quando completarem 20 anos de idade”, refere a
análise da OMS publicada na revista científica The Lancet Child &
Adolescent Health.Este estudo analisa os
dados existentes para fornecer, pela primeira vez, uma perspetiva da
prevalência da violência física e/ou sexual sofrida por raparigas dos 15
aos 19 anos e identifica também fatores sociais, económicos e culturais
que aumentam os riscos.A OMS alerta que a
violência entre parceiros pode ter impactos “devastadores na saúde, no
desempenho educativo, nas relações futuras e nas perspetivas de vida dos
jovens”. Do ponto de vista da saúde,
aumenta a probabilidade de lesões, depressão, perturbações de ansiedade,
gravidez não planeada, infeções sexualmente transmissíveis e muitas
outras condições físicas e psicológicas, salienta a organização.Embora
os dados indiquem que a violência contra as raparigas adolescentes seja
um fenómeno global, os autores destacam diferenças significativas na
sua prevalência em diferentes regiões do mundo.Com
base nas estimativas da OMS, as regiões mais afetadas são a Oceânia
(47%) e a África Subsariana Central (40%), enquanto as taxas mais baixas
se registam na Europa Central (10%) e na Ásia Central (11%). A
nova análise concluiu também que a violência contra raparigas
adolescentes é mais comum em países e regiões de rendimentos mais
baixos, em locais onde há menos raparigas no ensino secundário e onde
têm menos direitos legais em comparação com os homens. “O
casamento infantil (antes dos 18 anos) aumenta significativamente os
riscos, uma vez que as diferenças de idade dos cônjuges criam
desequilíbrios de poder, dependência económica e isolamento social – os
quais aumentam a probabilidade de abusos duradouros”, alerta a OMS.A
OMS realça ainda a “necessidade urgente” de reforçar os mecanismos de
apoio e as medidas de prevenção precoce adaptadas aos adolescentes,
juntamente com ações para promover os direitos das mulheres e das
raparigas, como programas escolares que educam rapazes e raparigas sobre
as relações saudáveis e a prevenção da violência.“A
violência entre parceiros íntimos está a começar de forma
alarmantemente precoce para milhões de mulheres jovens em todo o mundo”,
realça Pascale Allotey, diretor do departamento de saúde sexual e
reprodutiva e investigação da OMS, citado em comunicado.Atualmente,
de acordo com a OMS, “nenhum país está no bom caminho para eliminar a
violência contra as mulheres e raparigas” até à data prevista para o
Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de 2030.Para
inverter esse cenário, a organização preconiza o fim do casamento
infantil – que afeta uma em cada cinco raparigas em todo o mundo – e o
alargamento do acesso das raparigas ao ensino secundário, fatores que
considera “críticos para reduzir a violência dos parceiros contra as
raparigas adolescentes”.Este estudo não
analisou outros tipos de violência, incluindo a psicológica, devido à
falta de um critério internacionalmente comparável.