Uma em cada 4 pessoas não segue indicações de prescrição de antibióticos
30 de jan. de 2023, 08:54
— Lusa/AO Online
De acordo com este estudo, feito
pelo Grupo de Investigação e Desenvolvimento em Infeção e Sépsis
(GIS-ID), com o apoio do Centro de Estudos Aplicados da Universidade
Católica Portuguesa, apesar de ter melhorado o numero dos confessaram
não seguir a prescrição face aos valores de 2020 (1/3), ainda assim “é
um fator de preocupação”.“Há um nível de
falência dos tratamentos por causa disso”, disse à Lusa o presidente do
GIS-ID, João Gonçalves Pereira”, que alerta para a importância de as
pessoas “se responsabilizarem pela sua saúde”.O
responsável lembra que, “quando se começa o tratamento, os sintomas
diminuem, mas sem resolver infeção e, se a pessoa interrompe o
tratamento, isso facilita a recidiva da infeção e essa recidiva pode ser
mais complicada, porque pode parecer sobre a forma de abcesso,
implicando tratamento com medicação, mas também tratamento cirúrgico”.Além
disso – sublinha – “mais importante do que a pessoa interromper
precocemente é o problema de não cumprir o horário. Isto provoca uma
exposição em concentrações subterapêuticas, o que facilita (…) o
aparecimento de baterias, no limite, com resistências”.“É
duplamente preocupante. Há estudos europeus que dizem que as taxas de
não cumprimento podem atingir 50 ou 60%. É um problema transversal”,
afirma o médico, lembrando que há medidas que podem ajudar a diminuir o
problema como usar antibióticos de dose única diária, tentar usar
mnemónicas, como juntar o medicamento ao almoço, ao jantar ou ao deitar,
para que as pessoas não esqueçam”.Porque “nenhum doente deixa de tomar por maldade. É por distração, por esquecimento”, acrescenta.O
estudo - semelhante ao realizado em 2020 - mostra que aumentou o valor
(80%) dos que apenas tomam antibióticos quando prescritos pelo médico
(era 66% em 2020).“Parece haver maior
aderência ao conselho médico, mas há uma grande desresponsabilização das
pessoas pela sua própria saúde”, sublinha o presidente do GIS-ID.O
estudo, que pretendeu avaliar o estado atual do conhecimento dos
portugueses em relação ao consumo de antibióticos e o potencial impacto
destes comportamentos no problema da resistência aos antimicrobiano,
mostra que 77% não consegue identificar o antibiótico que toma e nem
sempre quem diz saber os identifica corretamente.Os
dados revelam ainda que aumentou o número de pessoas que referem que a
duração do tratamento é a informação mais importante ao ser-lhe
prescrito um antibiótico (de 37% em 2020 para 52% em 2022).Sobre
a importância de entregar os medicamentos que já não usa nas farmácias,
apenas metade dos inquiridos disse que o faz. São principalmente as
mulheres (30% vs. 20% dos homens).Mis de
um em cada dez (14%) admitem ter antibióticos armazenados em casa e mais
de metade destes (57%) diz tê-lo desde o último tratamento. São mais os
homens quem armazena medicamentos em casa (58% vs. 42%) e os mais
velhos (+55 anos) são quem menos o faz.Questionados
sobre para que servem os antibióticos, 42% indicaram que são para
infeções causadas por bactérias, um valor que aumentou face a 2020
(36%).Quanto à consciência sobre a
resistência aos antimicrobianos, 30% nunca ouviu falar - uma melhoria
ligeira face a 2020, em que 34% nunca tinha ouvido falar. São sobretudo
as mulheres (54%) que consideram que este é um problema de extrema
relevância e, principalmente, os mais velhos (>65 anos, com 22%).Mais
de metade (54%) sabe que o consumo de antibióticos está ligado ao
aparecimento da resistência aos antimicrobianos. Quem menos referiu ter
conhecimento foi a faixa etária dos mais jovens (<=25 anos).Um
em cada cinco disse ter conhecimento de um familiar ou amigo (18% em
2020) que já teve uma infeção por um micróbio resistente aos
antibióticos e 3% confessaram que eles próprios já passaram por essa
situação (4% em 2020)O estudo envolveu 1.600 inquéritos válidos e estão representados 213 concelhos de Portugal Continental e ilhas.