Um terço das empresas açorianas sujeitas ao RGPC estão em incumprimento
22 de out. de 2025, 10:26
— Rui Jorge Cabral
Há 153 entidades nos Açores que estão sujeitas ao Regime Geral da
Prevenção da Corrupção (RGPC), num total de cerca de 14 mil entidades em
todo o país. Tendo mais de 50 trabalhadores, todas as entidades
estão sujeitas ao controlo do Mecanismo Nacional Anticorrupção, têm de
se inscrever na Plataforma RGPC e têm de ter Planos de Prevenção de
Riscos de Corrupção.Das 153 entidades açorianas, 81 são públicas e,
destas, 73 estão registadas na Plataforma RGPC e estão no essencial em
cumprimento das suas obrigações, enquanto que ao nível das empresas, há
72 que estão abrangidas pelo RGPC, mas apenas 25 - cerca de um terço do
total - estão registadas na plataforma. A revelação foi feita aos
jornalistas pelo presidente do Mecanismo Nacional Anticorrupção, José
Mouraz Lopes, após ter sido ontem recebido em audiência, em Ponta
Delgada, pelo presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro.
Refira-se que o Mecanismo Nacional Anticorrupção não tem competências na
área da investigação criminal.Contudo, José Mouraz Lopes garantiu
que, após advertência, as empresas que já ultrapassaram o prazo legal
para se inscreverem na plataforma RGPC estão mesmo sujeitas a
contraordenações. Salientando a necessidade de estreitar a
cooperação entre a República e a Região Autónoma dos Açores nos
mecanismos de prevenção e combate à corrupção, José Mouraz Lopes
reconheceu que muitas vezes as empresas parecem estar “arredadas” da
necessidade de prevenirem a corrupção, “mas não devem estar”, em nome da
“garantia da transparência do mercado”. Por seu lado, o presidente
do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, manifestou a
importância do Mecanismo Nacional Anticorrupção atuar nos Açores dentro
das suas competências e de forma sancionatória para com os
incumpridores, considerando até benéfico “o distanciamento que gera
imparcialidade” que o Mecanismo Nacional Anticorrupção irá ter, sempre
que tiver de avaliar e eventualmente aplicar sanções aos processos
relativos aos Açores e, em particular, à Administração Pública Regional. Refira-se que nos Açores existe com direção própria desde março
deste ano um Gabinete de Prevenção da Corrupção e da Transparência,
cujas funções estavam antes integradas na Inspeção Administrativa
Regional e eram exercidas em acumulação de funções pelo inspetor
regional. Quando questionado pelos jornalistas sobre os resultados
da atividade deste gabinete, José Manuel Bolieiro reconheceu não ter
estes dados na sua posse para apresentar, justificando também com o
facto do gabinete só ter direção própria desde março deste ano. Isto
além de que, por haver competências nessa área que são do Mecanismo
Nacional Anticorrupção, o objetivo principal do gabinete é o de promover
uma “cultura de transparência e prevenção” da corrupção na
Administração Pública Regional, no sentido desta conhecer e cumprir o
Regime Geral da Prevenção da Corrupção. José Manuel Bolieiro defendeu
inclusivamente a importância do quadro legislativo ser ainda mais
“objetivo” na definição da legalidade, seja na contratação pública, seja
na admissão de trabalhadores para a Administração Pública, seja nas
classificações dos funcionários.Após a audiência, fonte da
Presidência do Governo Regional explicou ao Açoriano Oriental que uma
das funções do gabinete regional é a de atender às denúncias que são
feitas à administração pública através de canal próprio no site do
Governo Regional dos Açores, mas que estes dados - com a exceção das
conferências realizadas sobre a prevenção da corrupção - não estão
tratados separadamente no relatório de atividades da Inspeção
Administrativa Regional, pelo que só a partir deste ano, já com direção
própria, o Gabinete de Prevenção da Corrupção e da Transparência irá
publicar periodicamente os seus relatórios de atividade.Prevenção começa nas escolas O
presidente do Mecanismo Nacional Anticorrupção, José Mouraz Lopes e o
presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, estão
de acordo quanto à necessidade de se estender às escolas, incluindo as
açorianas, a aprendizagem e a sensibilização sobre o que é a corrupção e
sobre como combatê-la em nome da ética e da transparência. Em
declarações aos jornalistas ontem em Ponta Delgada, após uma audiência
com o Presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, o presidente
do Mecanismo Nacional Anticorrupção, José Mouraz Lopes, afirmou que “a
prevenção da corrupção é um problema nacional, que não passa apenas pela
repressão, mas também pela consciencialização, porque é um problema de
cultura”. Por seu lado o presidente do Governo Regional dos Açores
salientou o benefício de nas escolas açorianas “gerarmos uma nova
cultura de transparência, de prevenção e de ética na vida”.