“Um Ritmo Interior” reúne pintura de Fernando Tordo e Margarida Freire

Hoje 11:35 — Ana Carvalho Melo

A galeria de exposições do Casino Azores tem patente a exposição “Um Ritmo Interior”, uma mostra que reúne, pela primeira vez, trabalhos de Fernando Tordo e Margarida Freire.A exposição reúne 38 obras, nas quais o conceituado músico e compositor Fernando Tordo apresenta a pintura como um “refúgio terapêutico” e uma forma de escapar à sua longa carreira nos palcos, enquanto a pintora Margarida Freire destaca a música e a dança como inspirações centrais das suas criações.Com curadoria de Ana Cristina Baptista, a exposição coloca lado a lado linguagens plásticas diferentes, mas complementares, num espaço onde se destaca a riqueza do contraste entre gerações e abordagens.Em entrevista ao Açoriano Oriental, Fernando Tordo explicou que, após 61 anos de intensa carreira musical, a pintura surge como uma necessidade pessoal.“A pintura surge como uma maneira de respirar melhor. Sem compromisso, sem essa ambição de ser pintor”, afirma, explicando que o ato de pintar beneficia diretamente a sua composição musical: “Ajuda-me muito na música, uma vez que me faz descansar e faz com que o meu cérebro funcione noutra onda”.No entanto, o músico afirma categoricamente que não se considera um pintor no sentido profissional: “Eu não sou pintor. Faço umas obras, pinto umas coisas, mas não me considero um pintor. É mais simples do que isso”.Apesar da modéstia, expressa satisfação com o resultado e honra pelos convites que recebe: “Tenho muito gosto em fazê-las e até em olhar para elas, mas não é a minha profissão e, portanto, fico muito honrado pelo facto de gostarem e me proporem expor as minhas coisas”.Nesta entrevista, Fernando Tordo recordou ainda que, nos anos 1980, viveu na ilha do Faial, onde gravou os álbuns Anticiclone e Ilha do Canto, destacando a influência do arquipélago no seu processo criativo.“Uma coisa é estar em casa, em Telheiras, a fazer música e outra coisa é a gente estar no Varadouro, com a janela aberta, na ilha do Faial, a fazer música”, recordou.Margarida Freire, que nasceu em São Miguel, de onde saiu aos 10 anos, classificou a sua participação nesta exposição como um momento de grande emoção e nostalgia, por regressar à sua cidade natal para apresentar o seu trabalho.“Estou muito feliz e emocionada por fazer parte desta exposição Um Ritmo Interior, precisamente na minha cidade natal. É uma nostalgia muito grande e uma honra vir aqui”, começou por afirmar.Para a artista, o título da mostra, “Um Ritmo Interior”, sintetiza aquilo que a une a Fernando Tordo: “Apesar de sermos dois artistas com percursos totalmente distintos, há, de facto, algo que nos une: esse ritmo interior, essa necessidade de pintar. É o que nos une, na minha opinião, e acaba por ser também o título desta exposição”.Margarida Freire explicou ainda que a sua pintura “está sempre relacionada com a música”, sendo um reflexo da sua vida, dos concertos a que assiste, da poesia, das culturas e das viagens que absorve e tenta traduzir visualmente.Ambos os artistas destacaram a honra de expor em conjunto nos Açores, apesar das trajetórias distintas. Fernando Tordo frisou que a iniciativa partiu da curadora Ana Cristina Baptista, que viu uma exposição sua em Cascais e propôs a parceria com Margarida Freire.“É uma belíssima ideia da Ana, porque, de facto, são chegadas à pintura completamente diferentes. As diferenças são nítidas e, num espaço tão pequeno, isso fica completamente explicado”, frisou.Margarida Freire agradeceu à curadora da galeria de exposições do Casino Azores e sublinhou a confiança depositada no projeto.“Quero agradecer à curadora da galeria de exposições do Casino Azores por ter feito este convite, pela confiança, pelo trabalho dela e pela honra de poder realizar esta exposição com o Fernando Tordo.”“Um Ritmo Interior” está patente até 15 de janeiro, na galeria de exposições do Casino Azores, em Ponta Delgada, com entrada livre.