Um quinto dos estudantes do ensino superior possui algum tipo de doença mental
6 de mar. de 2023, 15:23
— Lusa
Um comunicado da UÉ
academia sobre o estudo divulgado hoje refere que “19,2% dos
participantes referiu que já lhes foi diagnosticado algum tipo de doença
mental e, destes, quatro em cada 10 (40,5%) foi diagnosticado após o
início da pandemia”.O estudo, coordenado
pela UÉ e que envolveu sete instituições de ensino superior portuguesas e
outras 10 de sete países da Europa e da América do Sul reuniu 3.143
respostas a inquéritos lançados, simbolicamente, no Dia Mundial da Saúde
Mental do ano passado, 10 de outubro de 2022.“Sentimos
necessidade de realizar um diagnóstico para desenvolver programas de
promoção da saúde mental em ambiente académico”, disse, citada no
comunicado, Lara Guedes de Pinho, coordenadora do estudo e investigadora
do Comprehensive Health Research Centre (CHRC) da UÉ.A
também professora do Departamento de Enfermagem da universidade
explicou que “o estudo foi realizado porque a entrada no ensino superior
corresponde a uma transição complexa” para os alunos.“Adicionalmente,
estudos internacionais indicam que os jovens foram os que mais sofreram
alterações na saúde mental no período pandémico”, disse, adiantando que
“7% dos participantes referiram que com a pandemia de covid-19 a sua
saúde mental piorou”.A investigadora do
CHRC realçou que os diagnósticos mais mencionados pelos estudantes no
estudo feito em Portugal “foram a ansiedade (16%) e a depressão (7%)” e
que 10% dos participantes referiu “ter ambos”.O
estudo, assinalou Lara Guedes de Pinho, indica que “23% dos
participantes toma medicação para a ansiedade, depressão, insónias ou
outro problema psíquico, mas só metade deles já teve consultas de
psiquiatria”.De acordo com a professora
universitária, “75,6% apresentam sintomas de ansiedade”, sendo que,
destes, “um em cada três participantes (37,8%) apresenta sintomas
moderados a graves de ansiedade”, enquanto "61,9% apresentam sintomas
depressivos, sendo 23,4% sintomas depressivos leves e 38,5% moderados a
severos”, sublinhou, referindo que os problemas que mais incomodaram são
“o sentimento de cansaço ou ter pouca energia (42%) e alterações do
sono (38%)”.Um em cada quatro inquiridos
disse ter “pensamentos acerca de que estaria melhor morto ou de se ferir
a si mesmo” e “27% referiu que a sintomatologia depressiva causa muita
ou extrema dificuldade na vida académica/trabalho”.“A
razão mais importante para não procurar ajuda apontada pelos inquiridos
é o facto de a ajuda profissional ser cara (58,5%) e o longo tempo de
espera para conseguir uma consulta (50,2%)”, realçou a professora da UÉ.O
estudo demonstrou ainda que os estudantes deslocados que vão todos os
fins de semana a casa apresentam menos sintomas depressivos e ansiosos e
os que estão numa relação amorosa apresentam menores níveis de
ansiedade.