Um quarto dos municípios tem iniciativas de apoio a cuidadores informais
23 de jun. de 2025, 10:57
— Lusa
“Entre
os 78 municípios com iniciativas identificadas, a maioria das ações
caracteriza-se por ser pontual, de pequena escala e centrada sobretudo
na disseminação de informação ou em ações de formação”, refere-se numa
nota da Escola Superior de Santa Maria – Santa Maria Health
SchoolSchool, do Porto.Os resultados
constam do estudo “Cuidadores e autarquias – Ponto de situação”
conduzido por investigadores da Santa Maria Health School e do Rise
Health, unidade de investigação sediada na Faculdade de Medicina da
Universidade do Porto, com coordenação de José Manuel Silva, e cujos
resultados completos serão divulgados em breve "num evento científico".“Apenas
25,3% dos municípios referem desenvolver iniciativas, programas ou
projetos especificamente dirigidos a esta população, que assume um papel
central nos cuidados de longa duração, mas continua em grande parte
invisibilizada nas políticas públicas”, consideram os promotores do
levantamento.O estudo, explica-se na nota,
teve como objetivo mapear e analisar, de forma sistemática, as
respostas dos 308 municípios portugueses no apoio a cuidadores
informais, recorrendo a “análise documental, contacto direto com as
autarquias e procedimentos de validação, assegurando uma cobertura
nacional abrangente”.Por outro lado, só
5,2% desenvolvem “programas estruturados e continuados, como serviços de
substituição ou descanso do cuidador informal e apoio psicossocial”.Além
disso, verificaram-se “assimetrias regionais marcadas e uma fraca
articulação com programas nacionais e organizações da sociedade civil, o
que levanta preocupações em termos de equidade territorial,
continuidade dos cuidados e alinhamento estratégico com as políticas
públicas de saúde e ação social”.Os
resultados do estudo sublinham “a necessidade de uma resposta pública
mais coordenada, intersetorial e multinível, que reforce o papel das
autarquias enquanto agentes estratégicos” na adoção “de respostas
comunitárias sustentáveis, integradas e centradas no bem-estar de quem
cuida e de quem é cuidado”, defende-se.Embora
em janeiro de 2025 estivessem atribuídos 16.386 estatutos de cuidador
informal em Portugal, apenas 6.004 (36,6%) beneficiavam do respetivo
apoio económico, segundo dados da Segurança Social (2025).“Estes
números contrastam com as estimativas da Associação Nacional de
Cuidadores Informais, que aponta para a existência de cerca de 827 mil
cuidadores informais no país (Relatório de Atividades, 2021),
evidenciando uma clara sub-representação nas estatísticas oficiais”,
apontaram os promotores do estudo.