"Um português que não tenha acesso à internet está discriminado"
17 de mai. de 2023, 16:50
— Lusa
“Hoje um português
que não tenha acesso à internet está discriminado negativamente, quer
seja um estudante, quer seja um trabalhador, quer seja para fins de
lazer, quer seja um turista, quer seja… enfim, não haverá um nómada
digital onde não houver internet”, disse Cadete de Matos numa audição da
Comissão de Administração Pública, Ordenamento do Território e Poder
Local.Na audição, a requerimento do grupo
parlamentar o PSD, pretendia abordar os problemas nos serviços de
telecomunicações móveis em territórios de baixa densidade.Nesse
sentido, Cadete Matos acrescentou que sem o acesso eficaz à rede “o
país terá sempre uma assimetria no desenvolvimento económico”, no
desenvolvimento social e no acesso aos serviços de saúde através da
internet.O presidente da Anacom disse
ainda que o regulador tem feito estudos para cobrir a área de cada
concelho – tendo apresentado na última semana o 67.º, referente ao
concelho de Pedrógão Grande.Cadete de
Matos explicou que os testes são feitos através de medições de qualidade
de sinal com recurso a vários equipamentos e que, “curiosamente, muitas
medições ainda revelam sinal de 2G”.“Estamos
no 5G, mas há muitas medições em que o sinal disponível é 2G, nem
sequer é 4G”, afirmou, apontando que esse tipo de sinal apenas permite
fazer chamadas.O responsável da Anacom
lamentou ainda que a falta de cobertura em certas regiões do país
represente, “no fundo, uma falha de mercado” e, nesse campo, apontou
para as possibilidades com a entrada de novos fornecedores de serviços
no mercado.Remetendo para o caso espanhol,
Cadete de Matos apontou que há empresas que entram no mercado e que
veem nos clientes insatisfeitos pela falta de cobertura “os primeiros
que podem bater à porta”.“Isso cria um dinamismo que permite aumentar o grau de cobertura no território”, registou.De igual forma, rejeitou que o investimento para a cobertura da rede em Portugal seja financiado por fundos públicos.“Pergunto:
os portugueses pagam das comunicações mais caras da Europa, por que é
que havemos de utilizar o dinheiro dos contribuintes, também, para
financiar as empresas, para levar a rede móvel, onde elas podem
compensar, obviamente, reduzindo as suas margens de rendibilidade?”,
questionou Cadete de Matos.No Dia Mundial
da Internet, o presidente da Anacom defendeu que Portugal não tem
ofertas competitivas para o acesso e voltou a saudar a entrada de novas
empresas que poderão ser um incentivo para a competitividade.“A
Digi [que comprou lotes de espetro do 5G em Portugal], aqui ao lado em
Espanha, oferece um gigabyte de fibra ótica por 20 euros. Aqui em
Portugal, os três operadores cobram 40 euros com 24 meses de
fidelização”, assinalou, insistindo novamente na modalidade de
fidelização.Cadete de Matos tem sido um crítico do modelo de fidelizações a 24 meses pelas operadoras de telecomunicações.