Um em cada três municípios portugueses dispunha de recinto de cinema em 2021
27 de set. de 2024, 17:45
— Lusa/AO Online
Os dados contam do Atlas
Artístico e Cultural de Portugal que foi
desenvolvido pelo Observatório Português das Atividades Culturais
(OPAC).Sobre a exibição cinematográfica, o
estudo remete para dados de 2021, indicando que apenas 113 dos 308
municípios portugueses (36,7%) dispunham de um recinto de cinema e que a
distribuição geográfica era, sobretudo, “nos municípios do litoral, nas
regiões do Alentejo e do Algarve e nas áreas metropolitanas de Lisboa e
Porto”. Também existiam recintos de
cinema nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, mas não em todas
as ilhas, segundo dados de 2021.O panorama
da exibição em circuito comercial indica ainda que é uma atividade
“marcadamente de gestão privada”, em 64,2% dos recintos, e que três em
cada quatro salas estão localizadas em centros comerciais.Neste
Atlas lê-se ainda que “a exibição de cinema em sala é um dos domínios
mais afetados pelos consumos domésticos”, nomeadamente pelo alargamento
do número dos canais na televisão em sinal aberto e fechado, e pela
digitalização e multiplicação das plataformas globais de ‘streaming’.No
estudo, é também sublinhada uma diferença de realidades: uma coisa é
ter infraestruturas “instaladas e legalizadas, suscetíveis de estar em
condições de exibir cinema”; outra coisa é ter salas com “exibição
efetiva de cinema”.Ou seja, registam-se “diferenças significativas entre o dispor de recintos e o ter oferta de cinema”. Segundo
este atlas, a oferta de cinema concentra-se “nas áreas metropolitanas
de Lisboa e Porto e em algumas capitais de distrito, em particular nas
regiões Centro e Norte”.No entanto,
alargando a possibilidade de exibição de cinema a outros “recintos fixos
de espetáculo da natureza artística”, como por exemplo, auditórios e
cineteatros municipais, o estudo indica que em 2022 quase dois em cada
três municípios dispunham de pelo menos um recinto de cinema, com um
predomínio nas regiões do Alentejo, Centro e Área Metropolitana de
Lisboa. Este estudo resulta de uma decisão
governamental tomada em junho de 2020, quando o Ministério da Cultura
era tutelado por Graça Fonseca. O estudo
foi feito no âmbito de um acordo entre a Direção-Geral das Artes e o
ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, através do OPAC.