Um ano após a nacionalização, Governo aguarda propostas para reprivatização
Efacec
2 de jul. de 2021, 08:35
— Lusa/AO Online
Do grupo de
cinco escolhidos para avançarem no processo de reprivatização da Efacec
Power Solutions, que atua nas áreas da energia, indústria e mobilidade, a
construtora DST e a Sing-Investimentos Globais são os únicos
portugueses. Os restantes são o Chint Group Corporation, da China, a
Elsewedy Electric, do Egito, e a espanhola Iberdrola.Na
passada terça-feira, o ministro de Estado, da Economia e da Transição
Digital disse ser necessário esperar por 19 de julho para saber quantas
propostas são feitas para a compra da Efacec.Pedro
Siza Vieira escusou-se comentar a eventual desistência dos três
investidores estrangeiros, noticiada no dia anterior pelo jornal Eco, e
que, a confirmar-se, deixaria apenas na corrida os candidatos
portugueses DST e Sing (ligada à empresa industrial Sodecia).“Não
vou comentar [se houve ou não desistências], porque o prazo para
entrega das propostas termina em 19 de julho. Portanto, vamos aguardar a
ver quantas propostas aparecem”, referiu, afirmando esperar “concluir o
processo de privatização dentro do prazo previsto”.O
ministro salientou que a Efacec teve um primeiro trimestre de 2021
“muito bom” em termos de faturação e de margem, mas reconheceu que
precisa de encontrar “um destino estratégico, uma liderança e a
capacidade de assegurar a sua robustez financeira”. Algo que, frisou,
“tem de ser feito pelos novos donos da empresa na segunda fase do
processo de privatização”.Foi
a 02 de julho de 2020 que a ministra da Presidência, Mariana Vieira da
Silva, anunciou a aprovação pelo Conselho de Ministros do decreto-lei
para nacionalizar 71,73% do capital social da Efacec, uma empresa
nacional que “constitui uma referência internacional em setores vitais
para a economia portuguesa”.Nesse
mesmo dia, foi publicada na página do Presidente da República a
promulgação do “diploma do Governo, destinado a salvar a Efacec”, e
Marcelo Rebelo de Sousa afirmou, dois dias depois, que a nacionalização
não se pretendia duradoura, mas, “quanto mais curta, melhor”.“Há
interessados, [a empresa] ficará privada. Não é para ser uma
nacionalização nem para sempre, nem duradoura, nem longa. Quanto mais
curta melhor, porque o Estado funciona aí para fazer a ligação. E essa
ligação só foi necessária porque, devido à decisão do tribunal num
processo que não sabemos como irá terminar, não foi possível outra
solução mais rápida”, disse, na altura, o chefe de Estado.A
nacionalização resultou da saída de Isabel dos Santos, filha do
ex-Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, do capital da Efacec,
na sequência do envolvimento do seu nome no caso 'Luanda Leaks', no qual
o Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação revelou, em 19
de janeiro de 2020, mais de 715 mil ficheiros que detalham alegados
esquemas financeiros da empresária e do marido que lhes terão permitido
retirar dinheiro do erário público angolano através de paraísos fiscais.A
empresária angolana tinha entrado no capital da Efacec Power Solutions
em 2015, após comprar a sua posição aos grupos portugueses José de Mello
e Têxtil Manuel Gonçalves, que continuam ainda a ser acionistas da
empresa, que foi penalizada por sérias dificuldades de financiamento
devido à crise acionista vivida.No
dia do anúncio da nacionalização, o Conselho de Administração da Efacec
considerou que a decisão era “um claro reconhecimento” do “valor
económico e estratégico” do grupo, permitindo “viabilizar a sua
continuidade” e manter o seu “valor financeiro e operacional”.Quase
três meses depois, em finais de setembro de 2020, a Winterfell -
empresa de Isabel dos Santos que controlava a Efacec - anunciou ter
apresentado uma ação de impugnação da decisão do Governo, alegando que a
nacionalização terá alegadamente violado “um conjunto de preceitos
legais”."Vivemos
num Estado de direito e todos os cidadãos, todas as empresas têm o
direito de reagir judicialmente contra decisões de órgãos do Estado que
entendem que põem em causa os seus direitos", afirmou, em reação, o
ministro da Economia.Ainda
antes do final de 2020, em 10 de dezembro, o Conselho de Ministros
aprovou o caderno de encargos para a reprivatização dos 71,73% do
capital da Efacec, prevendo, na altura, que o processo demorasse cerca
de seis meses.Ainda
dentro desse prazo, em 06 de maio passado, Siza Vieira anunciou que o
Conselho de Ministros tinha selecionado cinco de entre 10 propostas para
avançarem no processo de reprivatização da Efacec, tendo sido
“admitidos a participar na segunda fase do processo de alienação das
ações objeto da venda direta do capital social da Efacec Power Solutions
os potenciais proponentes Chint Group Corporation, Ltd; DST SGPS, S.A;
Elsewedy Electric Corporation, S.A.E; Iberdrola, S.A; e Sing -
Investimentos Globais, SGPS, S.A.".A
estes candidatos foi, então, endereçado um convite para apresentarem
propostas vinculativas, afirmando o ministro que o objetivo do Governo
era concluir a reprivatização “no verão deste ano”.Siza
Vieira disse ainda que o Estado não espera ter perdas com o processo,
tendo em conta a indemnização que terá de pagar pela nacionalização e o
empréstimo de emergência feito à empresa em 2020.