UGT/Açores pede a Bolieiro que sensibilize República para desafios da segurança na região
21 de out. de 2025, 16:01
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, a direção da União Geral de Trabalhadores (UGT) nos Açores,
liderada por Manuel Pavão, que foi recebida em audiência por José
Manuel Bolieiro, referiu que, embora a segurança “não seja matéria da
competência direta do Governo Regional”, apelou ao chefe do executivo
que “exerça a sua magistratura de influência junto das mais altas
instâncias da República Portuguesa”.“A
segurança e a ordem pública, expressas na proteção física e patrimonial
dos cidadãos, constituem pilares essenciais para o funcionamento do
Estado de direito democrático por que se rege a Autonomia Regional dos
Açores, assegurando que todos os seus habitantes e visitantes possam
viver e circular nas ilhas açorianas com confiança, protegidos de
ameaças à sua integridade física e aos seus bens”, referiu.Segundo
a nota, a garantia destes princípios “não só promove o bem-estar
coletivo e individual, como também reforça a confiança nas instituições e
gera a tranquilidade determinante para a estabilidade social e
económica”.A UGT acrescenta que o
crescimento verificado nos últimos anos no setor do turismo e nas
atividades conexas “não se compadece” com o aumento gradual da
criminalidade nas comunidades locais, “que se manifesta, sobretudo,
através de assaltos, furtos de ocasião, escaramuças e pequenos delitos,
cuja origem está frequentemente associada à dependência de substâncias
aditivas”.Tal situação gera “um clima de
medo e inquietação entre os residentes, afetando também negativamente a
perceção de segurança” dos visitantes.Perante
esta realidade, a UGT/Açores “manifesta profunda preocupação”, pois a
manutenção e o eventual agravamento destas situações “poderá comprometer
milhares de empregos e postos de trabalho […], colocar em risco a
própria democracia e o regime autonómico da região, ameaçando o
desenvolvimento sustentável e a estabilidade conquistados ao longo dos
anos”.“A insegurança que o comércio,
turistas e cidadãos em geral sentem, decorre na sua maioria do aumento
da toxicodependência por um lado, e, por outro, da falta de
policiamento”, salientou.Para a plataforma
sindical, “o insuficiente número” de agentes “adstritos ao Comando
Regional dos Açores [da Polícia de Segurança Pública - PSP], está a
colocar em causa o cabal cumprimento da missão" da instituição.Para
solucionar esta problemática, a UGT açoriana apelou ao chefe do
executivo de coligação que interceda junto do primeiro-ministro e da
ministra da tutela, para que, no caso da PSP, ocorra “o necessário
reforço das forças e meios de segurança”.Por
outro lado, “estando o fenómeno da marginalidade e delinquência ligado
em grande parte ao alcoolismo e [ao] consumo de substâncias aditivas”,
propõe “uma ampla ação governamental de formação e informação sobre os
malefícios daquelas substâncias, acompanhada de uma mudança na abordagem
do tratamento, considerando que as salas de consumo em regime aberto
não apresentaram resultados eficazes”.Por
último, recomenda que o Governo e a Assembleia da República sejam
sensibilizados “para a necessidade de revisão da legislação relativa à
criminalização ou descriminalização do consumo de estupefacientes e
substâncias aditivas, incluindo o reforço no combate ao tráfico”.