UGT/Açores exige aumentos salariais para fazer face à crise que se avizinha
14 de jul. de 2022, 08:51
— Lusa/AO Online
“Perante
uma conjuntura económica particularmente difícil, marcada pela
incerteza e pela inflação crescente, fruto da subida galopante dos
preços da energia, dos transportes e dos produtos alimentares
essenciais, a que se associa a subida das taxas de juro, a UGT/Açores
reivindica aumentos salariais reais que reponham o poder de compra dos
trabalhadores e a satisfação dos seus compromissos financeiros”, é
referido numa nota da central sindical.No
comunicado, a UGT - União Geral dos Trabalhadores lembra que a região
dos Açores debate-se também com “um sério problema de falta de
mão-de-obra”, especialmente em setores como a construção civil,
agricultura, turismo, restauração e serviços conexos, que justifica a
adoção de medidas concretas para fazer face a esta situação.“A
solução passa, em primeiro lugar, por se pagar melhores salários,
evitando assim a sangria que se tem verificado por via da emigração,
mesmo que sazonal”, é referido na nota, defendendo-se também a criação
de programas de formação profissional mais atrativos, que ajudem a
“mitigar” os efeitos económicos e sociais “desta nova e emergente
situação conjuntural”.Para os dirigentes
da UGT, é também necessário que o Governo Regional, liderado pelo
social-democrata José Manuel Bolieiro, acelere a aplicação do Plano de
Recuperação e Resiliência (PRR), como forma de recuperar e reforçar o
tecido económico produtivo regional, ao nível do emprego e das empresas.A
criação de bolsas de estudo, para incentivar os jovens a optar por
cursos de formação académica e profissional em áreas carenciadas, é
outra das propostas da central sindical, que sugere ainda a adoção de
medidas específicas ao nível de “isenção de impostos, cedência de
habitação e majoração salarial”, para ajudar a fixar população nas ilhas
com maior tendência de desertificação.“Este
conjunto de preocupações e reivindicações são tanto mais oportunas,
quanto importantes e urgentes, como forma de estancar os resultados dos
últimos Censos divulgados pelo INE, que apontam para uma perda de 10 mil
habitantes nos Açores na última década, traduzindo-se numa redução de
4,1%, o dobro da média nacional”, é acrescentado na nota.Os
dirigentes sindicais salientando também que estes alertas e estas
reivindicações têm apenas como objetivo exigir do Governo açoriano
políticas que assegurassem o desenvolvimento económico e social
estrutural, integral e solidário da região, e a necessidade urgente de
“mudança de paradigma” no desenvolvimento do arquipélago.