UGT/Açores considera pobreza um dos “calcanhares de Aquiles” da Região
19 de jan. de 2025, 10:42
— Lusa
“Efetivamente [a
pobreza], é um dos ‘calcanhares de Aquiles’ que a Região [tem]. É
estrutural, reconhecemos que é estrutural aqui nos Açores. É um dos
‘calcanhares de Aquiles’ de qualquer governação”, afirmou hoje o
presidente da União Geral de Trabalhadores (UGT) nos Açores, Manuel
Pavão, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, numa conferência de
imprensa realizada no âmbito do XXIII Conselho Geral da intersindical
UGT/Açores, onde foi feito o balanço político sindical de 2024 e
traçadas perspetivas para 2025.O dirigente
apontou que o combate à pobreza na Região “tem sido uma luta” e que,
“apesar dos indicadores terem vindo a melhorar”, o arquipélago continua
“nos últimos [lugares] do ‘ranking’ a nível nacional e europeu”.Manuel
Pavão reconheceu que há políticas de caráter social, a nível do Governo
da República e do Governo Regional, que podem ajudar a debelar os
níveis de pobreza, como seja a facilidade no acesso à habitação.“Para
além dos baixos salários que se praticam, hoje, reconhecemos todos, que
o acesso à habitação é mais uma dificuldade que os jovens, sobretudo,
vivem neste momento e há que fazer alguma coisa”, disse.O
líder da UGT/Açores lembrou que o executivo instituiu a gratuitidade no
acesso às creches, que considera “uma boa medida para ajudar a aliviar
as famílias de mais um encargo com a educação dos filhos”, para além de
contribuir para o equilíbrio da pirâmide etária, que está invertida,
porque morrem mais pessoas do que nascem.“Incentivamos o Governo Regional [PSD/CDS-PP/PPM] a tomar medidas para aumentar a natalidade”, apontou.Na sua opinião, se não forem tomadas medidas de incentivo à natalidade, a Região “tenderá para a desertificação”.Manuel
Pavão aludiu ainda ao Plano Regional para a Inclusão Social e a
Cidadania (PRISC), com o qual o executivo de coligação pretende reduzir a
taxa e o risco de pobreza na Região, que está em consulta pública até
ao dia 13 de fevereiro.O documento resulta
de um processo de avaliação, iniciado em 2022, da Estratégia Regional
de Combate à Pobreza e Exclusão Social 2018-2028 (ERCPES) da Região
Autónoma dos Açores e terá incidência sobre o período de 2025 a 2028.A
UGT açoriana espera que o PRISC “traga medidas que façam mesmo a
diferença”, disse o seu presidente, recordando que apesar da aplicação
do plano anterior, a Região continua “a marcar passo” nesta matéria.Salientou
ainda que o combate à pobreza nos Açores assenta no tripé “educação,
emprego e formação profissional, em conjugação com o aumento da
produtividade, o aumento da riqueza, para que possam ser pagos melhores
salários”.Quanto às reivindicações da
UGT/Açores para 2025, segundo Paula Ferreira, vice-presidente da Mesa do
Conselho Regional, incluem aspetos como aumentos salariais “entre os
4,7% e 7%, com um impulso mínimo de 52,50 euros” e a diminuição da
precariedade.A intersindical pede uma
“atenção especial” para o setor público empresarial, com ênfase “para a
periclitante situação” da companhia aérea regional SATA”, considerando
que “tem de primar por melhores resultados” que garantam a sua
continuidade.O XXIII Conselho Geral da
UGT/Açores aprovou um voto de louvor ao presidente cessante do Conselho
Económico e Social dos Açores, Gualter Furtado, pelo “empenho e
dedicação”, e saudou a eleição da nova presidente, Piedade Lalanda,
desejando que “continue a promover a justiça social e o crescimento
económico equilibrado”.