UGT-Açores alerta que quem trabalha não pode continuar pobre
Hoje 09:20
— Filipe Torres
Na nota de imprensa
enviada à redação, a estrutura sindical sublinha que, apesar do avanço
tecnológico e da crescente automação, “as máquinas, a automação e a
tecnologia” devem ser encaradas como ferramentas ao serviço das pessoas e
não como substitutas do trabalhador. A UGT defende que o verdadeiro
desafio está em garantir que o progresso tecnológico continue a colocar o
ser humano no centro da economia e da sociedade.Relativamente à
realidade açoriana, a UGT-Açores destaca a persistência da pobreza entre
trabalhadores, referindo que, segundo dados de 2024, entre 8% e 10%
vivem abaixo do limiar da pobreza, com um rendimento mensal inferior a
565 euros por pessoa.Para a organização, quando alguém trabalha e,
ainda assim, não consegue assegurar habitação, alimentação ou
estabilidade para a família, isso revela “uma falha do próprio modelo
económico e social”.Entre as soluções apontadas pela UGT-Açores
está, em primeiro lugar, a valorização efetiva dos salários, defendendo
que não basta ter emprego, sendo essencial que o trabalho seja
remunerado de forma digna. A estrutura sindical lembra que, nos Açores, o
custo de vida é agravado pela condição de insularidade, tornando ainda
mais urgente que a atualização salarial acompanhe a realidade concreta
das famílias.Outro problema apontado é o combate à precariedade
laboral, com muitos trabalhadores a viverem com vínculos instáveis,
horários irregulares e forte dependência de setores sazonais, como o
turismo. A UGT-Açores defende políticas públicas que incentivem
contratos estáveis, reforcem a proteção laboral e garantam maior
segurança no emprego.A UGT-Açores destaca ainda a importância da
formação profissional e da diversificação da economia regional. A aposta
em novas competências, digitalização e setores como a economia do mar,
energias renováveis e inovação agrícola poderá criar mais emprego
qualificado e melhores salários nos Açores. No final do comunicado, a
UGT-Açores deixa uma mensagem: “quem trabalha não pode ser pobre”. A
estrutura sindical defende o diálogo social e a discussão da
anteproposta de lei “Trabalho XXI” como passos importantes para garantir
melhores condições de vida e mais dignidade aos trabalhadores
açorianos.